Cidadania e Responsabilidade Social

 

A sociedade é retrato de seus valores, virtudes da convivência social são pilares de uma vida livre, justa e solidária. 
Todos nós nascemos com o dever moral da decência. A Justiça é fim social por excelência. 
Desde sempre aprendemos a valorizar a sabedoria e a honra.
O Maçom é sacerdote desta cultura que conduz à justiça. É na fidelidade a esses postulados intangíveis, que nascem, crescem, florescem e avigoram-se os ideais maçônicos.
Afligem-nos os fatos políticos que inquietam a nação. Se o Estado não protege o cidadão, a legitimidade política do poder falece. Nascem as aventuras. Deixar o 
Estado à mercê de bandidos é negar os direitos humanos e, bandidos não são só os que roubam e matam o cidadão, mas também os que usurpam e manipulam o poder do Estado, mesmo que com a aura da representação política e o verniz da legalidade.
É hora de enfrentar e combater atos tendentes a enfraquecer a independência e o princípio da separação dos Poderes.
Em vigília e na defesa da Constituição sempre esteve, também, a Maçonaria.
Estamos unidos, para exortar o Santa Catarina e o Brasil, testemunhando por nossa conduta que um dia constituirá herança para o patrimônio ético desta Nação.
Maçom íntegro faz-se, em atitude pessoal, partícipe de um mutirão cívico, a fim de reduzir as desigualdades e postar-se na vanguarda da Justiça.
A impunidade, flagelo da nossa era, resulta de ações e omissões.
O Maçom quer, no processo de interação com a comunidade, proclamar a sensibilidade que Erich Fromm pôde traduzir na “polaridade de duas funções fundamentais, a de receber e a de entregar. É a polaridade da terra e da chuva, do rio e do oceano, da noite e do dia, da escuridão e da 
luz, da matéria e do espírito”.
O Maçom quer sonhar, e mais que isto, busca realizar os seus sonhos, sabendo que um dia eles podem revelar-se numa sociedade realmente digna de ser 
consagrada humana.
Nós Maçons não temos medo de sonhar. E sonhamos bastante. Intensamente!
A elaboração legislativa entrega-se à dependência de maiorias eventuais e oscilantes, volúveis e promíscuas.
A subserviência dos corpos legislativos, controlados por determinadas forças da sociedade, a par dos funestos meios empregados, colide com o bem comum, resultando na concentração cada vez maior das riquezas do mundo.
O laço social mudou.
Estamos entregues a nós mesmos. Há destruição dos valores tradicionais. Destruição das pontes com o passado. Há falta de energia cultural.
É decisivo combater as desigualdades sociais e a violência, firmando-se ainda no combate às drogas, à corrupção enraizada nos Poderes Públicos, “ao desperdício, à omissão e ao capitalismo selvagem que ofendem a dignidade humana, agridem o sentimento de comunhão nacional e afligem a consciência ética dos brasileiros”.
A globalização fez empalidecer os vínculos nacionais, orientados pelo interesse público e o bem comum. O modelo cultural se altera. Insinuam-se valores novos e novos interesses. Os fundamentos éticos perdem a força e com ela a importância. A fé se transfere para as razões do mercado. A realidade cultural faz morada nas práticas iconoclastas, destruidoras de princípios e valores. O direito deixa de ser o exercício prático da razão e da ordem social.
A prudência e o humanismo cristão padecem sem sentido e importância. A república já não consagra o diálogo entre o poder e a liberdade. Em síntese, a realidade é outra. O mundo mudou. Somos uma nova realidade que precisa ser reconhecida, enfrentada e compreendida.
Realidade dominada pelo desenvolvimento científico e tecnológico, pela robótica e pela internet, pela velocidade das mudanças. Nós Maçons, não estamos fora, mas no olho deste furacão que impõe novos paradigmas, baseados no conhecimento e na comunicação.
Somos uma instituição entre a família e o Estado, capaz de aceitar e vencer este desafio. Mas precisamos reconhecer a necessidade de, sem renunciar valores e princípios, reciclarmos procedimentos, revigorarmos a energia social, revisitarmos a Docência Maçônica. Devemos fazer isto sem medo nem sobressalto, com ciência e consciência.
A Maçonaria não pode viver de costas para a realidade nem ser indiferente aos seus problemas. A passividade é que assusta e desestimula os irmãos, principalmente os mais novos. Não podemos perder o norte da missão fundamental da Maçonaria que é a formação de homens livres e de bons costumes. 
A formação da pessoa, com conhecimento de si mesma, da sociedade, da cultura herdada. É uma obra de construção contínua, com um futuro construtível, e cada vez mais desafiador. Reconhecemos que a crise maior da humanidade é moral, de comportamento, de dignidade, de exercício permanente da virtude da cidadania.
E nós Maçons, quem somos? Somos para que?
As feridas da corrupção jamais cicatrizam e sangram no sentimento do povo sofrido.
O desejo de justiça é a aspiração mais arraigada do ser humano. A prática da injustiça é comportamento incompatível com a paz social.
Mas, “Justiça”, o que é: indaga Otfried Höff
JUSTIÇA É
 Princípio que nasce da realidade histórica.
 Necessidade concreta.
 É valor supremo.
 É virtude que liberta.
 É consciência que dá paz.
 É igualdade social.
 É respeito ao mérito.
 É qualidade da convivência.
 É a pedra angular da ordem.
 É valor que fundamenta; regra que enuncia; ato que realiza.
 É legitimidade.
 É solidariedade.
 A Justiça não está nos códigos, nos concílios acadêmicos, nos baronatos ideológicos, na esterilidade da burocracia, no positivismo paranóico; no vazio, no formal, no inconseqüente.
 Está na vida, no choro das mães, nas crianças famintas, nos moradores de rua, no frio, na dor, na fome, na miséria. Está no real, no concreto, no efetivo.
 Na felicidade inalcançável, na solidariedade inexistente.
 A Justiça não é verdade estagnada.
 É criação perpétua.
 A Justiça não está na literalidade da lei, mas na sua interpretação honesta.
 Justiça não é dever de ofício.
 Justiça não é folha de processo, é carne, é vida, é verdade.
 Justiça não é máscara do preconceito.
 Justiça é paz com a verdade, com a família, com a sociedade, com a consciência, com Deus.
Nós Maçons, não somos imunes às crises. À sociedade nacional é nossa pátria. Sofremos as dores, as fragilidades sociais. A nossa diferença com profanos é que nos comprometemos livremente com deveres especiais de conduta e atitudes. Nosso aprendizado no terreno moral é rigoroso. 
Somos humanos, falíveis. Nossa vida é moldada pela cultura maçônica. Não suportamos o ócio moral. Nossa instrução tem a força inabalável da atitude ética. Sustenta-se em valores. Alimenta-se de crenças. Lutamos por uma civilização de convivência, de amor e fraternidade. Existimos para servir.
A corrosão dos valores da tradição, a dissolução da idéia de Verdade, a desvalorização de princípios e fundamentos últimos que outrora nos orientavam são os principais traços de nossa época. 
Atordoados, desnorteados, perenemente em busca de bússolas de sentido, o homem contemporâneo lembra um andarilho à beira de um abismo, cuja constelação de sentimentos, ideais e ações está cada vez mais ameaçada por forças que parecem visar um único objetivo: a atrofia do pensamento e 
da razão.
A hora é de desafio. As elucubrações, voluntarismos cerebrinos estão desmoralizados diante das chagas sociais. A hora é de engajamento cívico e afetivo. A Maçonaria Unida exorta o Brasil. 
Oramos no altar da altivez, da lealdade e da solidariedade. Esta é a verdadeira virtude da cidadania. Meus irmãos. Batem à Porta do Templo. 
Meus irmãos Catarinenses, Batem à porta do Templo! E não são Irmãos do Quadro! É a sociedade brasileira! 
Obrigado!
* Jarbas Lima - Mestre Maçom (Instalado).
Loja Corpus Júris, 83, Porto Alegre – Grande Loja - RS
Data: 1º de setembro de - 2014.
Originalmente publicado na página da Grande Loja de Santa Catarina: http://www.mrglsc.org.br/