Equilíbrio perante as forças antagônicas

Quando eu sou incapaz de me estabelecer em equilíbrio perante uma situação, colocação ou posicionamento antagônico, isso é reflexo de um desequilíbrio interior, onde a minha aparente postura harmônica pode não ser fruto da minha essência verdadeira, mas de uma representação social para autoafirmação do ego.

 

No momento em que sou confrontado, minha aparente integridade e idoneidade se esvaem e surge a sombra. Aquele aspecto interior intolerante, que agride, que deseja a morte, a violência e todo o tipo de infortúnio ao outro ser humano, que julga, que oprime e toma a liberdade do outro, que não expressa nenhum sinal de compaixão, empatia, altruísmo, respeito à liberdade e amor.

 

Pessoas do bem se transformam em agentes do mal, demônios encarnados no mundo físico, seres sarcásticos, opressores, vingativos, blasfemando todo tipo de injúrias e justificando todo tipo de violência ou imoralidade que me convém… ao menor confrontamento ideológico.

 

A verdade ocultada pelas máscaras sociais expõe minha verdadeira face, onde não importa a verdade em si, mas a satisfação do meu ego e afirmação de minhas ideias que transpassam o respeito e a liberdade alheia.

 

Não interessa a liberdade alheia, o espaço alheio, não interessa as escolhas alheias, o pensamento alheio, nada…

 

Estou inserido nesse contexto?

 

Como me porto perante uma pessoa que tem uma visão política oposta?

 

Como lido com uma mulher que tem autonomia total de suas ações e escolhas?

 

Como lido com um homem que é livre, que não se apega à minha forma pré-definida de relacionamento – apesar de eu lutar pela liberdade de ação e escolhas femininas?

 

Como eu lido com quem erra? Apesar da saber que somos humanos e todos erramos…

 

Quero liberdade, mas como lido com quem não se submete às minhas escolhas?

 

Dou liberdade para outro em relação a sua forma de educar seus filhos? Ou exijo que eles tenham uma educação pautada na minha própria ideologia?

 

Banalizo a crença do outro? Independente de não invadir meu espaço e de ser de âmbito totalmente particular?

 

Apesar de negarmos, muitas vezes nos encontramos, no confrontamento ideológico, diante da manifestação desses aspectos sombrios de nossas almas.

 

Na verdade, se demonstro compassividade, compreensão, amor e respeito apenas quando as coisas seguem os meus próprios interesses e concepções, sou apenas egoísta. A partir do momento encaro um movimento antagônico, surge em mim o preconceito, sarcasmo, imposição ou moralismo, chegando até mesmo ao ódio e violência gratuitos.

 

As redes sociais contemporâneas se mostraram uma grande válvula de escape para a exposição do mal em cada um. O aparente escudo tecnológico das redes me permite agir sem politicagem, sem receio: expondo verdadeiramente quem sou.

 

Essa difícil travessia onde nos encontramos hoje, a “Guerra de todos contra todos”, mencionada por Rudolf Steiner, tem relação direta com a transcendência do ego, do egoísmo profundo em direção ao Espírito, à expansão da consciência, onde surge um respeito e interesse genuíno pelo outro, baseado na liberdade, nos destinos individuais e no amor ao próximo…

 

Lembre-se deste pequeno fio para a elevação da atitude moral: o caminho do Amor, do Altruísmo, da compaixão, do respeito e acolhimento à liberdade – a consciência do Destino Individual Humano.

 

Leonardo Maia

Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/equilibrio-perante-as-forcas-antagonicas/