O que Maçonaria

Nenhuma organização é tão fascinante e ímpar quanto à gloriosa Maçonaria. Para melhor conhecê-la, entendo ser indispensável rememorarmos os aspectos históricos relativos à sua origem e à sua atuação nos mais diversos eventos de significância mundial e no Brasil. 

Nessa esteira, os primórdios da Maçonaria são obscuros, bem como parte de sua história. Dentre os historiadores sérios que a estudaram, a opinião quase unânime é a de que a ordem descende de antigas corporações de mestres-pedreiros construtores de igrejas e catedrais formadas na idade média. 

Assim sendo, o próprio termo maçom, é um aportuguesamento do francês que quer dizer 'pedreiro' e maçonaria, por extensão, significa associação de pedreiros. 

O certo é que a arte de construir é tão antiga quanto à própria história da humanidade. Desde a antiguidade, os construtores que detinham conhecimentos especiais, constituíam uma espécie de aristrocacia, ou uma elite, quando comparados às demais profissões. 

Esclareço que a arte de construir não é tão simples como muito de nós entendemos (como cortar pedra, trabalhar na pedra bruta, etc...) envolvendo também trabalhos de arte, escultura, de medidas, de orientação geográfica e muitos outros conhecimentos. 

Os pedreiros da época equivaliam a arquitetos, engenheiros e empreiteiros de hoje. Na Idade Média, os construtores, herdeiros das técnicas romanas e gregas de construção civil, acabaram dando lugar às guildas, que eram como hoje são conhecidos os sindicatos ou as agremiações de profissionais. 

Formaram-se guildas de artesãos, ferreiros, marceneiros, tecelões, enfim, toda a necessidade do feudo era lá produzida. A maioria das guildas limitava-se, no entanto, às fronteiras do feudo, sendo que o povo não tinha o direito de ir e vir, direito este que hoje temos e nos é tão cabal. Já as guildas dos pedreiros necessitavam mover-se para fazerem as construções. Era a única guilda que tinha o direito de ir e vir, podendo se deslocar a outros feudos e lá se identificavam como profissionais da arte da construção por intermédio de sinais, toques e palavras. Decorre disso a denominação francesa de franc-maçon traduzida como pedreiro-livre. 

Sendo assim, o ofício de pedreiro era uma condição cobiçada para a classe do povo. Além de poderem se deslocar livremente, as autoridades eclesiásticas e seculares conferiam inúmeros privilégios aos construtores de catedrais e palácios. Esses pedreiros se reuniam para discussão de assuntos relativos à arte da construção, visando aperfeiçoar e conhecer novas técnicas. 

Levavam às reuniões os instrumentos de trabalho, utilizados na composição dos projetos arquitetônicos (esquadro e compasso) ou na atividade braçal (avental, malho e cinzel). 

Assim surgia a “maçonaria operativa”, preocupada com coisas práticas e restritas ao ofício. Esta origem, ligada aos construtores da era medieval, explica o porquê da simbologia maçônica estar toda ela relacionada ao tema construção. 

Com o decorrer do tempo, os segredos das construções não eram mais guardados a sete chaves, pois já eram estudados publicamente. No entanto, essas associações sobreviveram ao tempo. 

Os pensadores da época, cujas ideias geravam perseguições, buscavam refúgio entre os pedreiros livres, capazes de protegê-los pelos privilégios que tinham. Alguns eram aceitos, daí a denominação de Maçons Aceitos em contraposição aos Maçons Antigos, os construtores. Como as construções tornavam-se mais raras, o número de maçons aceitos aumentava consideravelmente, formando-se, assim, a denominada maçonaria especulativa, uma vez que os seus adeptos são homens de pensamento, tendo seu berço na Inglaterra em 1717.

Em vez de erguer edifícios físicos, catedrais ou estradas, o objetivo já era outro: erguer o edifício social ideal. 

Os pensadores iluministas se filiaram às lojas maçônicas, como um lugar seguro e intelectualmente livre e neutro, apropriado para o debate de suas ideias, principalmente no século XVIII, quando os ideais libertários ainda sofriam sérias restrições dos governos absolutistas na Europa. 

Não se pode negar que a maçonaria pode ter contribuído para a difusão do iluminismo e que este, por sua vez, possa ter contribuído para a difusão das lojas maçônicas. Infere-se disso que a Maçonaria era um dos canais, talvez o principal canal, pelo qual os valores do iluminismo foram propagados da Inglaterra para a América, França, Países Baixos e, eventualmente, para todos os países civilizados. 

A essência da mensagem era a liberdade, a tolerância, a sociabilidade e a ideia que, através da razão, todos os homens poderiam encontrar um modo e vida que fosse satisfatório e realizador. Percebe-se uma total convergência entre o ideário maçônico e o dos pensadores da época. 

Assim, delineados os aspectos históricos, a Maçonaria, em seu conceito intelectual tradicional, é uma instituição filosófica, filantrópica, progressista e iniciática, que tem por objetivo contribuir para a evolução do ser humano, combatendo os vícios, o obscurantismo, o despotismo e todo e qualquer tipo de injustiça. Sua ação político-social, decorrente de seus princípios filosóficos, tem como fins supremos a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. 

Absortos nessa tríade finalística, membros da ordem tiveram participação relevante em grandes eventos da história da humanidade como a Revolução Americana e a Francesa. 

Na história do Brasil, a maçonaria também teve participação nos momentos decisivos, com excepcional contribuição para a formação de nossa nacionalidade, sempre apoiando e lutando para a concretização dos ideais mais nobres da pátria, comprometendo-se em favor da liberdade e condenando as injustiças. 

É conhecida a participação da Maçonaria na INCONFIDÊNCIA MINEIRA, na INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, na LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS e na PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. 

Por fim, destaco testemunhos de renomados maçons, acerca de suas percepções sobre a Maçonaria. Voltaire, grande filósofo iluminista francês cujas obras tiveram grande influência na revolução Americana e Francesa, assim se referia a Maçonaria: "A maçonaria é a entidade mais sublime que conheci. É uma instituição fraternal, na qual se ingressa para dar e que procura meios para fazer o bem, exercitar a beneficência, como um dos processos para conseguir-se a perfectibilidade objetiva. Será extraordinariamente sublime se a maioria dos gênios da ação e do pensamento pertencerem à Maçonaria".

Já outro maçom ilustre, Abraham Lincoln, presidente americano que aboliu a escravidão (1863), assim destacava a ordem: "A mais sublime de todas as Instituições é a Maçonaria, porque prega e luta pela Fraternidade, que cultiva com devotamento; porque pratica a tolerância; porque deseja a humanidade integrada em uma só Família, cujos seres estejam unidos pelo Amor, dominados pelo desejo de contribuir para o Bem do próximo. É uma honra para mim ser Maçom". 

Caros irmãos, compartilhemos esse mesmo sentimento de Abraham Lincoln e nos sintamos orgulhosos e honrados de pertencermos a tão sublime ordem!! 

Referências de Pesquisa

1. Em: http://www.comunidademaconica.com.br – O que é Maçonaria 

2. Em: http://www.noesquadro.com.br – O que é Maçonaria. 

3. Em: http://www.gob.org.br - O que é maçonaria 

4. Sociedades Secretas - A. Tenório de Albuquerque 

5. A Total Perfectibilidade - Welington Paiva 

6. As vigas Mestras da Maçonaria - Jorge Buarque Lira.

Autor:

Ir... Ari Dell Antonia

Loja Professor Mâncio da Costa nº 1977, Florianópolis – (GOB/SC).

Fonte: JB News – Informativo nº 1.756.