O sujeito e a sociedade: um olhar mais demorado

Constituir-se em sociedade torna um movimento necessário para perpetuação de uma espécie e de sua evolução. Desta forma, para que esse movimento seja possível, as leis morais e éticas são formas para que haja organização, sobrevivência e convivência entre os seres.

 

Entretanto, dependendo da forma que cada sujeito realiza o engajamento para sustentar uma sociedade e fazer cumprir suas regras morais, pode gerar o distanciamento dos desejos individuais possibilitando o não conhecimento e percepção de cada um no mundo. Ou seja, a subjetividade se dilui no social e então, o eu e o outro torna-se uma única imagem, o qual o sujeito pode verificar que esta é a única posição possível de se ocupar no mundo.

 

O primeiro núcleo social onde o ser humano é inserido é sua família e através do laço formado, para além da biologia humana, inicia-se a comunicação e formação dos lugares dos membros. Segundo Lévi-Strauss, antropólogo francês, ressalta que é neste núcleo que inicia o fazer social e a manifestação de um sistema global de comunicação a (linguagem) que se estrutura através de suas trocas que são herdadas por cada membro em suas relações anteriores.

 

Desta forma, os valores morais e cívicos são passados entre os membros familiares, bem como o lugar que cada um encontra para ocupar naquele núcleo, se manifesta. Porém, para o sujeito compreender sobre o lugar que ele ocupa não é uma tarefa simples e rasa. Necessita deste sujeito verificar sua co-responsabilidade frente suas queixas que causam dor e que se não escutadas podem doravante emergir um sofrimento.

 

Por isso que em alguns casos, existe a necessidade de participar de um discurso engajado por uma massa, que por vezes esconde as reais responsabilidades consigo e com os núcleos que cercam. Vale elucidar que a sociedade provoca este movimento no sujeito quando não está disposta a escutar o que um outro tem a dizer, aliás o que do outro pode dizer sobre a posição que se ocupa, e deste modo, provoca o não contato com o próprio desenrolar de sua vida.

 

Tal pressuposto revela no quanto a sociedade contemporânea não está disposta a escutar-se, mas sim cair em um discurso que “coisifica” a própria existência, o qual o mercado consumidor, o trabalho e até mesmo os afetos, transformam em quantidades ao invés de possibilidades ou formas de se engajar com a própria existência.

Para Heidegger, filósofo alemão, o homem é um ser aí – Dasein - em sua construção perante sua existência, sendo possibilidades de existir a cada instante. Neste paradigma, os seres humanos são seres livres e responsáveis e capazes da própria história e o sentido dela.

 

Mas, até onde ou posição o ser humano atualmente está disposto a escutar e revelar para si? Quais das possibilidades estão dispostos a arriscar e se responsabilizar? Qual é a ética que vive em prol ao seu desejo?

Desta forma, ao sujeito cabem muitas perguntas para construir suposições ao seu respeito, mas cabe também a cada um encontrar sua posição frente a si e a sociedade que está inserido e poder transformá-la em algo possível de caminhar, considerando que unificar a uma imagem ofertada pelo núcleo e não se apoderar o que marca a sua diferença entre o meio empobrece um sujeito desejante, pois, a diferença autoriza a ser quem se é.

 

De acordo com Ana Suy, psicanalista e professora universitária brasileira , é necessário que o sujeito esteja inserido no laço social, entretanto ainda é importante que o sujeito tenha desindenficações, para que “não tornem marionetes e clichês de modo dessubjetivado.”

 

Contudo, levantar questões que possam despertar um olhar mais demorado para aquilo  que o sujeito dispõe a se ocupar, torna-se importante para evolução e responsabilidade com a própria vida.

 

Fonte:

 

© obvious: http://obviousmag.org/provocacoes_literarias/2016/o-sujeito-e-a-sociedade-um-dialetica-sobre-o-ser.html#ixzz4j4oxbRLM.