Ser Justo.

Estas palavras, extraídas do livro Rota 66 de autoria do jornalista Caco Barcellos, encaixam-se perfeitamente no assunto que foi escolhido como tema para minha Peça de Arquitetura.

Notem que está explícito no texto que este indivíduo optou por abandonar uma possível ascensão em sua condição social ao perceber que o seu sucesso dependeria de um fardo enorme e pesado a ser carregado pelos menos afortunados. Este comportamento é o que podemos identificar como ser justo. E a justiça é uma das virtudes que o verdadeiro maçom deve possuir.

Via de regra, quando nos referimos à justiça, é por que nos deparamos com a injustiça. O discurso sobre a justiça só surge no momento em que ela não está presente. Somente quando algo aconteceu diferente do que foi pré-estabelecido. Neste sentido, o homem justo é aquele que age de acordo como se espera que ele aja. E o mais importante é que ele deseje ser justo. E ser justo, antes de mais nada, é um sinal de sabedoria. É saber a diferença entre o bem e o mal, entre o certo e o errado.

Justiça é, antes de tudo, um princípio de equidade, de igualdade proporcional; um princípio de sabedoria que deveria ser utilizado pelo Governo e principalmente pelo Poder Judiciário.

A maioria dos cidadãos conhece apenas duas situações: ser beneficiado ou ser prejudicado. Infelizmente, a educação brasileira não nos ensinou a discernir estes extremos e a adotar situações intermediárias. É no ponto médio, entre o benefício e o malefício, que encontramos o que é justo para todos.

Em linhas gerais, ser justo é não oprimir nem privilegiar, não menosprezar nem endeusar, não subvalorizar e tampouco supervalorizar. 

Ser justo é saber dividir corretamente sem subtrair e sem adicionar (sem roubar ou subornar). 

Ser justo é não se apropriar de pertences alheios e dar o correto valor a cada coisa e a cada pessoa. 

Ser justo é estabelecer regras claras sem dar vantagem para uns e desvantagem para outros. 

Ser justo é encontrar o equilíbrio que satisfaz ou sacrifica, por igual, sem deixar resíduos de insatisfação que possam resultar em desforras posteriores.

A ausência de uma boa educação, nesse sentido, tem propiciado comportamentos extremistas (ora omisso, ora violento) por parte da maioria dos cidadãos. Observe que até pouco tempo a maioria dos brasileiros preferia se calar mesmo diante das inúmeras explorações do nosso dia-a-dia. O maior problema, consequente desse tipo de comportamento surge com o decorrer do tempo. 

A falta de diálogo, para se estabelecer o que é justo e correto, faz o cidadão prejudicado se cansar de ser omisso e partir pra violência (ir direto ao outro extremo). Essas reações têm acontecido até mesmo entre parentes e vizinhos. Por isso, precisamos nos reeducar. 

Os maçons, em especial, precisam ter em mente o que é justo e correto para ajudar que os cidadãos não se tornem omissos e saibam estabelecer o diálogo ao perceber toda e qualquer injustiça. Se cultivarmos um padrão de comportamento realmente justo, ninguém acumulará motivos para se tornar infeliz, desleal, subornável ou violento.

A sociedade precisa entender que é a prática correta do princípio de justiça que produz a paz social viabilizando a prosperidade de forma ordeira e bem distribuída.

A esperteza, a exploração e a má fé, são técnicas ilusórias que têm vida curta e acidentada. As instituições governamentais, empresas privadas e negócios pessoais, estabelecidos com injustiças, com espertezas, com explorações e má fé, são comparáveis a construções sobre areia porque desmoronam nos dias de tempestades (crises, pragas, acidentes, novas concorrências, etc.). Mas, os negócios estabelecidos de forma justa, com justiça nos preços, nos salários, nos serviços e nos relacionamentos em geral, são comparáveis a construções sobre rocha porque permanecem de pé mesmo depois de grandes tempestades.

Portanto, precisamos abandonar a mania subdesenvolvida de gostar de levar vantagem em tudo, e cultivar a mania desenvolvida de gostar de fazer e receber justiça em tudo. 

Já é hora de entendermos que a vantagem que se leva hoje se transforma no prejuízo de amanhã, enquanto a justiça que se pratica hoje se transformará no lucro de amanhã.

Comportar-se de forma realmente justa, tanto na hora de dar ou de vender, quanto na hora de cobrar ou de receber, é condição primordial para um povo se tornar pacífico e bem-sucedido.

Ricardo Luís Guenther                                          
Obreiro efetivo da ARLS... Universo III Nº 77

Florianópolis - Santa Catarina.

Fontes de Pesquisa:

Rota 66 – A História da Polícia que Mata, Caco Barcellos, Editora Record. Rio de Janeiro 2003.

A Virtude da Justiça – Prof. Dr. Marcelo Campos Galuppo 

http://marcelogaluppo.sites.uol.com.br

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