Parte da História da Loja Alferes Tiradentes (relatada pelo Irmão Lonarte)

 

 

Todos nós sabemos que, qualquer história para ser iniciada, tem que haver a participação de uma ou mais pessoas. Alguém tem que dar o chute inicial.

 

No presente caso, a quebra do “gelo” e o início do bom relacionamento que existe hoje entre as potências maçônicas de Santa Catarina começou na Loja Alferes Tiradentes, que nunca se sujeitou ao cabresto de qualquer Potência, tanto que no passado era apelidada de “Loja Rebelde”.

 

No segundo mandato do Irmão Wilson Filomeno como Grande Mestre (1978/1981), o cargo de Secretário de Relações Exteriores da Grande Loja foi exercido pelo Irmão Valdir Ivo Schlösser. Naquela época, como órgão auxiliar ao então Secretário, existia a Comissão de Relações Exteriores composta por três membros. Um deles era o irmão José Valter Alves, oficial da gloriosa Polícia Militar de Santa Catarina. 

 

No início de 1981 o Irmão José Valter Alves foi designado para participar de um curso de 02 anos na cidade do Rio de Janeiro, forçando-o a licenciar-se do cargo que exercia. 

 

Foi aí que o Irmão Lonarte Sperling Veloso “entrou na parada”. Foi convidado pelo Irmão Vilson Filomeno a substituir a Irmão José Valter Alves. Convite feito convite aceito.

 

Já nos primeiros meses o Irmão Lonarte começou a sentir-se “fora do ninho”, pois não conseguia entender como fazer um trabalho, no sentido de ampliar o relacionamento com as Potências no Brasil e também no resto do mundo, quando aqui em Santa Catarina os irmãos das três Potências viviam se digladiando (não podiam conversar, a Intervisitação era proibida, e o pior, não podiam sequer chamar-se de irmãos. 

 

Em 1981 assumiu o Grão Mestrado da Grande Loja de Santa Catarina o Irmão José Abelardo Lunardelli, de saudosa memória. O Irmão Lonarte foi designado para o cargo de Grande Secretário de Relações Exteriores, cargo que exerceu até 1987.

 

A sua angústia continuava aumentando. O péssimo relacionamento entre os Irmãos das três Potências piorava a cada dia, a tal ponto de determinados irmãos se retirarem de Loja quando detectavam a presença de irmãos de Potências diferentes.

 

Cita-se como exemplo o caso acontecido numa iniciação realizada em Xanxerê (Grande Loja) onde alguns Irmãos do Grande Oriente do Brasil resolveram prestigiar um profano que estava sendo iniciado. Os obreiros da Loja de Chapecó (Grande Loja), que lá também estavam prestigiando, quando observaram a presença dos Irmão do Grande Oriente do Brasil se retiram incontinentemente, e o pior, aos bravejos, denunciando posteriormente a Loja Obreiros de Hiram (Xanxerê) por ter permitido a entrada dos Irmãos do Grande Oriente do Brasil. 

 

Outro fato bastante desagradável também aconteceu em Chapecó quando o então profano Hans Barg foi iniciado no Grande Oriente do Brasil. O seu colega de trabalho Irmão Nicácio Pompeu da Silva (membro da Loja Sentinela do Oeste – Grande Loja) foi prestigiá-lo. No dia seguinte foi sumariamente expulso de sua Loja, e o pior, também da Grande Loja de Santa Catarina. 

 

Tal expulsão resultou num processo maçônico que durou meses. Somente com a interferência de vários Irmãos é que tão desagradável assunto foi resolvido, levando o então Grande Mestre Wilson Filomeno a usar de suas prerrogativas de Grão Mestre e anular todo o processo de expulsão

 

O relacionamento entre os Irmãos do Grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente de Santa Catarina eram piores, com histórias escabrosas sobre a indiferença e até mesmo maus tratos entre a irmandade.  

 

Estas e outras informações chegavam aos ouvidos do irmão Lonarte que cada vez mais ficava angustiado e sem entender qual seria o seu verdadeiro papel como Secretário de Relações Exteriores da Muito Respeitável Grande Loja de Santa Catarina. 

 

A Loja Alferes Tiradentes entre 1980 e 1982 tinha à frente como Venerável o valoroso Irmão Walter Pacheco Júnior, que simplesmente ignorava as proibições da Grande Loja e iniciou um sistema de intervisitação junto às Lojas de outras Potências, convidando sistematicamente Irmãos do Grande Oriente do Brasil e do Grande Oriente de Santa Catarina para ministrarem palestras em nossa Loja (Rui Olimpio de Oliveira, Jaime Lopes Dal Mau, Wady Nosar de Mello, Ibi Silva, dentre outros valorosos Irmãos).

 

Aliás, é bom lembrar que dentre os objetivos basilares da Alferes Tiradentes, tornados como objetivos permanentes pelo Irmão Walter Pacheco Júnior, foram pautadas duas obrigações que consideramos de suma importância: a “Unidade Maçônica” e o “Amplo Relacionamento”

 

Pois bem, foi no final de 1982 e início de 1983, (incentivado pelo Irmão Walter Pacheco Júnior), o Irmão Lonarte, então Grande Secretário de Relações Exteriores da Grande Loja de Santa Catarina e também Venerável de sua própria Loja, começou a insistir junto ao Grão Mestre José Abelardo Lunardelli para que fosse dado um fim na proibição de receber Irmãos de outras Potências nas Lojas jurisdicionadas à Grande Loja de Santa Catarina. 

 

A palavra “incentivado” talvez não seja a mais correta. Em verdade o Irmão Lonarte foi pressionado pelo Irmão Walter Pacheco no sentido de iniciar uma luta, enquanto Secretário de Relações Exteriores, para acabar com a proibição. 

 

O Irmão José Abelardo Lunardelli sempre viu com bons olhos o interrelacionamento, porém, a resistência de alguns fazia com que o mesmo agisse com bastante cautela, até porque na alta administração da própria Grande Loja, também, havia alguma resistência. 

 

O relacionamento entre o Grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente de Santa Catarina, repetimos, era pior.

 

Depois de muita conversa, finalmente, o Irmão José Abelardo Ludardelli nos deu “carta branca” para iniciarmos as conversações. A bem da verdade não foi só carta branca. Ele nos deu todo o apoio e nos incentivou a conversar sobre o assunto com outras Potências. 

 

Isso ocorreu num determinado dia do ano de 1983, não sei precisar em que mês, porque tudo foi feito verbalmente, sem ata, sem nada por escrito.

 

O Irmão Lonarte, junto com o Irmão Walter Pacheco Júnior, se dirigiu ao Grão Mestrado do Grande Oriente do Brasil e lá se apresentaram ao então Grão Mestre Rubens Victor da Silva. 

 

Foram muito bem recebidos. Porém, quando disseram qual era o objetivo de suas visitas o Irmão Rubens Victor da Silva ficou “mudo”, paralisado durante alguns segundos, sem nada responder.

 

Refez-se do susto e fez a primeira pergunta: O irmão José Abelardo Lunardelli, seu Grão Mestre, sabe dessa vista e das intenções de tal visita? 

 

Dissemos a ele que sim. E dissemos mais. Que o Irmão José Abelardo Lunardelli estava nos incentivando a exterminar com a rusga (mal-estar) existente entre as Potências. 

 

Depois ele fez a segunda pergunta: Vocês já conversaram com o Grão Mestre do Grande Oriente de Santa Catarina? Dissemos a ele que não, porém, ainda daquele dia pretendíamos fazer isso.

 

Ele limitou-se a dizer que iria enfrentar algumas resistências junto ao Grande Oriente Nacional, porém, também, oferecia o seu apoio à causa.

 

Perguntamos a ele se toparia conversar, fazer uma reunião, com o Grão Mestre da Grande Loja e com o Grão Mestre do Grande Oriente de Santa Catarina. Ele respondeu positivamente.

 

Saímos do seu Gabinete contentes e satisfeitos, pois achávamos que ali seria encontrada a maior dificuldade.

 

Fomos imediatamente do Grão Oriente de Santa Catarina e lá também fomos muito bem recebidos pelo então Grão Mestre Samuel Fonseca

 

Repetimos a conversa sobre a nossa intenção. O Irmão Samuel Fonseca ficou entusiasmado, principalmente quando falamos que os Irmão José Abelardo Lunardelli e Rubens Victor da Silva já tinham concordado em fazer uma reunião para discutir o assunto.

 

Pois bem. Levamos a resposta ao Irmão Lunardelli e as reuniões foram marcadas. Primeiramente no Gabinete do Irmão Rubens Victor da Silva, posteriormente na Grande Loja e por último no Grande Oriente de Santa Catarina.

 

O gelo havia sido quebrado. Paralelamente os irmãos da Alferes Tiradentes continuavam trabalhando e pedindo ajuda para engrossar a causa. 

 

A Loja Alferes Tiradentes, sob a venerabilidade do Irmão Lonarte, passou a realizar apenas 03 (três) sessões mensais em sua Loja. A quarta sessão do mês era sempre realizada numa Loja do Grande Oriente do Brasil ou no Grande Oriente de Santa Catarina

 

Juntaram-se à Loja Alferes Tiradentes mais três Veneráveis de outras Potências (Aloísio Gonçalves de Oliveira, da Regeneração Catarinense, Mário Deserto da Silva, da Loja da Ordem e Trabalho do GOB e o Venerável da Loja Januário Corte, do Grande Oriente de Santa Catarina)

 

Os irmãos Itamar Cardoso Rocha (Grande Loja), Francisco Wady Nosar de Mello, José Carlos Pacheco, (Grande Oriente de Santa Catarina), Irmãos Messias, Piazza, Elmo Bittencourt, Getúlio Correa e tantos outros, também colaboraram de forma definitiva para que a causa tivesse sucesso.

 

O esforço foi recompensado, tanto é verdade que na ENCHENTE de 1984, que assolou todo o Vale e Alto Vale do Itajaí, Vale do Rio Uruguai e Vale do Rio do Peixe, as 03 (três) Potências Maçônicas de Santa Catarina se uniram pela primeira vez na história do Estado para defender uma causa justa.

 

O documento intitulado de “PROCLAMAÇÃO” foi redigido pelo Irmão Walter Pacheco Júnior da Loja Alferes Tiradentes. Foi assinado pelos três Grãos-Mestres da época: Francisco Wady Nozar de Mello (Grão Mestre-Adjunto), José Abelardo Lunardelli e Rubens Victor da Silva.

 

Note que nesta época não se falava em OPERAÇÃO TRIÂNGULO.

 

É importante frisar que a partir de 1983 foi eliminada a proibição da intervisitação, graças ao trabalho que foi iniciado pela Loja Alferes Tiradentes, que contou logicamente com a colaboração de muitas outras Lojas e de inúmeros Irmãos das três Potências.

 

A Operação Triângulo veio ter início somente no terceiro quadrimestre de 1985. O documento intitulado de “PROCLAMAÇÃO AO POVO MAÇÕNICO”, assinado pelos três Grãos-Mestre em 11/10/1985 também foi redigido pelo Irmão Walter Pacheco Júnior

 

Em razão da colaboração para que houvesse a unidade maçônica em Santa Catarina, a Loja Alferes Tiradentes concedeu o título de cidadão honorário aos três Grãos-Mestres da época (José Abelardo Lunardelli, Rubens Victor da Silva e Samuel Fonseca).

 

Os Grãos-Mestres Adjuntos eram: José Itamar Cardoso, da Grande Loja, Francisco Wady Nozar de Mello, do Grande Oriente de Santa Catarina e Irmão Piazza do Grande Oriente do Brasil, cujos agradecimentos fazem parte dos anais da história da Loja Alferes Tiradentes.

 

O resto da história desse grande trabalho os irmãos já conhecem.

 

Ainda vivos, que fizeram parte dessa história, inclusive dos primeiros contatos com os Grãos Mestres Rubens Vitor da Silva e Samuel Fonseca, portanto, podem confirmá-la:

 

Walter Pacheco Junior,

Lonarte Sperling Veloso,

Irmão Messias do GOSC

Irmão Piazza do GOB

Irmão Elmo Bittencourt do GOB