A Egrégora, a Ritualística e a Conexão com o Divino

Quase sempre, antes da entrada no Templo para uma sessão Maçônica, fala-se na Egrégora. De acordo com definições, esta se trata da “energia espiritual e mental coletiva formada pela união dos pensamentos, sentimentos e intenções dos Maçons em um propósito comum.
É uma força invisível que se manifesta nos rituais e nas reuniões, fortalecendo a fraternidade, o conhecimento e a espiritualidade do grupo. A criação e a manutenção de uma Egrégora forte e vibrante exigem comprometimento e intenção consciente.
Compreender a Egrégora maçônica consiste, assim, em mergulhar na essência da fraternidade. A Egrégora maçônica é um conceito fascinante e representa a reunião das forças mentais e espirituais dos Irmãos congregados em Loja, como se fosse uma ligação psíquica e espiritual à essência de todo o Maçom, presente em sessão ou não. Para que ela seja positiva e se torne mais forte, todos os indivíduos presentes devem estar imbuídos do mesmo espírito e sentimento, tornando a energia mais limpa e poderosa.
Para isso, o preparo se inicia ainda na Sala dos Passos Perdidos, na ocupação dos cargos para a sessão, no conhecimento da Ordem do Dia, na introspecção sobre o tema e, finalmente, no conhecimento adquirido pela leitura antecipada do ritual do cargo que o Irmão vai assumir na sessão (quando não for o seu de ofício) para auxiliar no desenvolvimento da sessão, principalmente nos debates, quando for oportuno.
O preparo do cortejo ainda na Sala dos Passos Perdidos baseia-se principalmente no silêncio e na energia que já deve estar intensa nesse momento.
A passagem para o átrio, a partir de então, exige a devida concentração para o melhor cumprimento função de cada Irmão na sessão. A mensagem do Mestre de Cerimônias, curta, profunda e contínua, é a chave para conectar a todos ao trabalho a ser desenvolvido. Assim, a "inquietude" trazida do mundo profano começa a ceder lugar ao silêncio e à compenetração, que, uma vez alimentados pelo comprometimento dos IIr.·. trará a certeza de uma sessão memorável. E, com a manutenção desses princípios e valores, fará com que todas as sessões sejam trabalhadas, mergulhadas nessa cascata de intensa energia e, por que não dizer, da mais pura emoção Maçônica.
Na continuidade, e de acordo com o estrito cumprimento do ritual, a tendência é que a Egrégora se torne mais intensa e mais profunda. Para isso, faz-se necessário ter um conhecimento ou interpretação do ritual (em alguns detalhes que não estão escritos, ou em outros que constam nos negritos), além do cumprimento esmerado da atividade de cada cargo ocupado na sessão, permitindo uma fluidez silenciosa e leve no desenrolar dos trabalhos.
Os comandos e movimentos, os primeiros com a devida clareza e entonação de voz, e os segundos com a devida tranquilidade ao se deslocar no Templo, devem ocorrer dentro da ordem de coleta das propostas e informações e da contribuição individual de metais para a contínua assistência aos infelizes, onde a miséria e o infortúnio fazem gemer e chorar, com o supérfluo de nossas condições sociais, conforme o ritual.
Interessante também é a participação na Ordem do Dia: ouvir, entender e participar, conforme a opção metodológica para a verificação da aprendizagem.
Fundamental na manutenção dessa energia é o uso da palavra, sempre com bondade e brevidade na fala, sem a necessidade de demonstrar qualidades de oratória ou qualquer mudança daquilo que, para a Ordem, trata-se apenas de sermos simples, objetivos, compreensíveis e humildes.
É ainda necessário ter em mente a manutenção daquilo que constou da Ordem do Dia, visto que nenhuma outra manifestação deveria suplantar os assuntos tratados na sessão, objetivando assim que, pelo menos ainda em alguns dias após a sessão, nossos pensamentos retornem com frequência a tudo o que se passou naquela sessão.
Poderíamos até utilizar como critério de energia e espiritualização adquiridas na sessão ao grau de ruído durante a realização da Ágape (para as Lojas que participam do Ágape fraternal após a sessão).
Tudo isso para que, quando o Ven.·. M.·. determinar o procedimento da abertura dos trabalhos, invocando o auxílio do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, possamos ter a certeza de que Ele está presente entre nós, nos auxiliando, nos orientando e nos protegendo.

Sérgio Dalagnol
Fonte: “Chama”, Informativo Virtual – Nº 33 – Novembro - 2025



