A IMPORTÂNCIA DA INTERVISITAÇÃO

Alguns temas são tão claros que fica difícil trabalhá-los, por conta de sua lógica natural. É o caso de quando estamos em uma parte baixa e queremos ir para uma parte alta: subimos.

Não há muito o que falar, justificar ou questionar a respeito de o Maçom frequentar uma Loja Maçônica diferente da sua. Já no solene ato da iniciação, todos os presentes são lembrados de que, com a aceitação do novo membro naquela Loja, ingressará um Irmão na Família Maçônica Universal. Em outros termos, após a iniciação, o iniciado terá direito a frequentar qualquer outra Loja.

Esse direito é landmarkiano: “14º. Todo Maçom tem o direito de visitar e tomar assento em qualquer Loja. O consagrado “direito de visitar” sempre foi reconhecido como direito inerente a todo Irmão em viagem pelo Universo. Dessa forma, as Lojas são encaradas como meras divisões por conveniência da família maçônica universal.”

Contudo, para além do direito, encontra-se também o dever de visitar. Qual seria, pois, esse dever?

É o compromisso de fazer novos progressos na Maçonaria, estreitando os Laços de Fraternidade que nos unem como verdadeiros Irmãos. Se o Obreiro não frequentar outras Lojas, terá contato apenas com os mesmos Irmãos. Quando não há acréscimo, há estagnação ou perda, o que, de longe, consiste em “fazer novos progressos” e, muito menos, “estreitar Laços de Fraternidade”.

Quando surge a famosa pergunta: “Temos algum Irmão no setor/órgão ou que trabalha com...?”. Provavelmente temos, mas não é da Loja do solicitante. Pode ser membro de outra Loja que se reúne no mesmo Templo, em dia diferente, porém o solicitante não sabe. Por quê?

Porque Maçonaria é só a Loja dele. Dia de reunião é somente na noite em que a esposa permite. Acha cheias e demoradas as Sessões Magnas. Já sabe de tudo, então não participa de seminários. Na verdade, só não sabe o contato de quem deseja, e o que, de fato, deveria desejar é apenas UM LUGAR ENTRE VÓS!

Ademais, há outros dois pontos que devemos inserir nesta provocação dominical. No primeiro, as visitas não substituem a presença do Obreiro na Loja à qual está filiado, simplesmente porque nenhum direito está acima do dever. Decerto, na sindicância foi informado e, por consequência, confirmado o compromisso moral com a Loja no dia da reunião.

O segundo ponto configura uma opinião pessoal, como um Irmão Maçom, e não reproduz a ideia ou posição de qualquer grupo, cargo ou entidade maçônica. De antemão, caso haja em sua jurisdição um regramento contrário ao que vou expor, o Irmão e a Loja devem seguir o que dizem as Leis que os regem.

Acredito que a Loja é soberana para aceitar ou não a presença de um Irmão em seu Templo. Há inúmeros casos de “Irmãos” que não foram expulsos porque a Loja não foi competente ou foi omissa e lhe concedeu o Quitte Placet para se ver livre do “Irmão”. Este, por sua vez, filia-se a outra Loja e perturba os trabalhos na Loja Mãe. Ou pior, o candidato foi reprovado em uma Potência e procura abrigo em outra, que não foi tão séria nas verificações e aceita a proposta. Após a iniciação, o “Profano de Avental” vai a uma reunião da Loja que o vetou com o único propósito de tripudiar.

Todavia, em que me baseio para a Loja negar a participação desse “Irmão” na reunião?

Na primeira Lei que aprendemos, acerca do uso do avental, não devemos usá-lo para visitar uma Loja em que haja um Irmão contra o qual temos animosidade. Se ele insiste, não respeita a Lei, cabe, então, às Luzes da Loja não permitir que alguém de maus costumes, mesmo que iniciado, traga desarmonia aos labores maçônicos.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club