A Maçonaria e a Guerra

Envolvida, no decorrer da história, em movimentos revolucionários e, portanto, bélicos, nossa Ordem já trabalhou com a trolha em uma mão e com a espada em outra. Na verdade,
O MAÇOM PERENEMENTE MANUSEIA UMA TROLHA E UMA ESPADA.
Antes que alguém invoque nossa “Herança Templária”, deixamos claro que isso é mito. A Ordem Templária era militar e religiosa, criada no século XII. Por sua vez, a Maçonaria, na forma básica como a trabalhamos, iniciou sua atuação no final do século XVI.
A Maçonaria absorveu história, nomes, símbolos, tradições, valores e até liturgias de várias Ordens de Cavalaria, para a criação e a formatação de Ritos, Rituais e Graus. Isso é positivo, sobretudo nestes cinco pontos de perfeita honra, comuns aos Cavaleiros: respeitar e defender os fracos; nunca recuar diante do inimigo; cumprir seus deveres diante dos homens e de Deus; não mentir e honrar a palavra dada; viver pelo que é certo e do bem, contra a injustiça e o mal.
Contudo, há um lado negativo, o qual serve de base e narrativas para ações questionáveis. Muitos de nós não se aprofundaram nos estudos das nove Cruzadas que ocorreram durante quase 200 anos, com vergonhosos episódios de barbáries e violações cometidas pelos “Nobres Cavaleiros”. Decerto, estavam honrando outros cinco pontos: acreditar em tudo o que a Igreja (Governo) decreta; defender cegamente a Igreja (Governo); glorificar a terra em que nasceu; fazer guerra contra o infiel (opositor) sem cessar e sem misericórdia; cumprir seu juramento, sem questionar.
Eduardo Galeano, poeta uruguaio, disse uma vez: “Nenhuma guerra tem a honestidade de dizer eu mato para roubar. As guerras sempre invocam nobres motivos, matam em nome da paz, em nome de Deus, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia”.
Diante do exposto, precisamos estar atentos ao que, de fato, acontece ao nosso redor e quão atual é a frase de Shakespeare “Neste mundo, os loucos conduzem os cegos”. Como iniciados, recebemos a verdadeira Luz – a do discernimento –, a fim de não entrarmos no jogo político do “nós contra eles” e do “eles contra nós”.
Bravatas de armas em punho, que nada se faz, ou imputações de negligências institucionais vêm sempre daqueles que desejam que o outro faça aquilo que ele não fez. Não faz e apresenta justificativa para não fazer.
A Maçonaria não “entra” mais em guerra por dois motivos. Primeiro, as grandes transformações da sociedade não passam mais pelas armas, e sim pela conscientização do cidadão. Segundo, o poder econômico e político que governa o mundo está acima de qualquer ação maçônica.
Com os pés no chão e para além dos devaneios dom quixotianos, os Maçons manusearão uma simbólica trolha na construção moral de uma sociedade justa e perfeita e, sim, portarão a espada da ética, em defesa de nossos Sãos Princípios.
De maneira inegável, o mundo passa por transformações que poderão ser benéficas a todos caso a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança sejam nossos basilares na vida como filhos, companheiros, pais, Maçons e cidadãos.
Façamos nossa parte em prol da paz no lar, na sociedade e no mundo.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club




