A MAÇONARIA NO BRASIL

A Maçonaria Brasileira não nasceu propriamente com a fundação do GRANDE ORIENTE DO BRASIL em 17 de junho de 1822. Os primeiros núcleos ou agrupamentos que podem ser considerados precursores do movimento maçônico brasileiro formaram-se em Minas, em 1789, na célebre Conspiração Mineira, onde se verificou a predominância do espírito maçônico, mesmo não havendo, até hoje, provas indiscutíveis de ter sido maçom Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes; em Pernambuco, em 1796, com a fundação do Areópago de Itambé; e na Bahia, em 1798, na Conjuração dos Alfaiates. 

 

No fim do século XVIII, para evitarem as perseguições de que eram alvos, alguns maçons portugueses emigraram para o Brasil e da união com outros maçons, franceses e americanos, instalaram na colônia no início do século XIX, Lojas Maçônicas, umas sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano, e outras do de França, tendo ainda algumas sido fundadas independentes. Em 1801 consta que instalou-se no Rio de Janeiro a Loja Simbólica Reunião, filiada ao Oriente de França. No ano de 1803, o Grande Oriente Lusitano, nomeou o Irmão Francisco José de Araújo, Delegado Especial, com plenos poderes, para criar Lojas regulares no Brasil. Este Delegado criou as Lojas Constância, Filantropia e Emancipação e unindo estas a Loja Reunião, criou um centro comum, unindo todos os maçons, regulares e irregulares, que existiam no Rio de Janeiro. 

 

Consta que essas Lojas chegaram a ter mais de cem membros, dos mais respeitáveis cidadãos, que trabalharam com a maior dedicação e zelo a causa maçônica, chegando a instalarem uma nova Loja denominada Beneficência. Os maçons brasileiros, animados pelo espírito de liberdade e independência, sentiram a necessidade de nacionalizar o regime maçônico, criando um ponto de apoio e de união a todos os irmãos, dando-lhes força necessária para resistir à tirania reino l. 

 

Entusiasmados pelo desenvolvimento do trabalho maçônico regular no Brasil, os Irmãos convocaram as Lojas existentes e realizaram um grande feito maçônico, fundando o primeiro Grande Oriente do Brasil, que foi reconhecido e saudado pela Maçonaria estrangeira, sendo proclamado Grão-Mestre Interino, o Irmão Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva. O trabalho maçônico frutificava na colônia, quando em 1806, aportou no Brasil o vice-rei, Conde dos Arcos, homem de caráter ferino e adversário mortal da Maçonaria, que passou a perseguir impiedosamente os maçons brasileiros. 

 

Em 21 de agosto de 1806, em assembléia geral do Povo Maçônico, deliberou-se suspender provisoriamente os trabalhos maçônicos na colônia, visto os Irmãos correrem perigo de vida, devido ao comprometimento dos maçons com os ideais de liberdade e independência. Mas nem a ira do vice-rei contra a Maçonaria, nem as perseguições, puderam diminuir o entusiasmo maçônico de nossos irmãos, que continuaram a reunir-se em segredo. 

 

Nessa época algumas Lojas apareceram e desapareceram, merecendo destaque as Lojas São João de Bragança e a Comércio e Artes, fundada em novembro de 1815, que se conservou independente e que ainda hoje existe. Em outros pontos do Brasil, também se organizaram algumas Lojas. Em Campos dos Goitacases, instalaram-se Lojas independentes, a Firme União, a União Campista e a Filantropia e Moral, sendo que a Firme União ainda existe. Ao Oriente da Bahia, instalou-se um Grande Oriente Brasiliano, que teve vida efêmera. Em 1817, por ocasião da Revolta de Pernambuco, e quando já se tinham dados os primeiros passos para a reinstalação do Grande Oriente do Brasil, os maçons, perseguidos pelo ministro de Estado do Reino, Tomás Antônio da Vila Nova, viram-se novamente obrigados a suspender os trabalhos maçônicos na colônia, dissolvendo outra vez temporariamente as Lojas Maçônicas. 

 

A Maçonaria Brasileira ficou novamente adormecida, até que em junho de 1819, José Domingos Ataíde Moncorvo, capitão-de-mar-e-guerra, reinstala a Loja Comércio e Artes, a fim de dar forças e vigor aos trabalhos maçônicos no Brasil. Na reinstalação juntaram-se ao quadro da Loja, numerosos obreiros de Lojas Maçônicas adormecidas. 

 

A Loja, que já possuía um quadro de obreiros brilhante, tornou-se o celeiro de homens de prestígio e intelectuais do Rio de Janeiro. O Brasil era nessa época dependente da coroa portuguesa e, em abril de 1821, com a volta para Portugal do Rei D. João VI, ficou sob a regência do Príncipe D. Pedro, filho do Rei. A Loja Comércio e Artes, que era a única regularmente funcionando no Rio de Janeiro naquela época, resolveu em assembléia geral, presidida pelo Venerável Mestre João Mendes Viana, no dia 17 de junho de 1822, reinstalar o Grande Oriente do Brasil, que logo foi reconhecido e saudado pela Maçonaria da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos. Com a necessidade de no mínimo três Lojas para fundação de um Grande Oriente, a Loja Comércio e Artes se dividiu em três Lojas. As três Lojas fundadoras da nova Potência receberam os títulos distintivos de: "Comércio e Artes" - na idade de ouro, N ° 1; "União e Tranqüilidade", N° 2; "Esperança de Niterói", N° 3. 

 

As três Lojas ainda conservam seus títulos distintivos e a denominação de "Lojas Metropolitanas" e continuam em atividade. O primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil foi o Conselheiro e Ministro de Estado, José Bonifácio de Andrada e Silva, tendo como 1º Grande Vigilante Joaquim Gonçalves Ledo e como Grande Orador o Cônego Januário da Cunha Barbosa, sendo José Bonifácio substituído em seguida pelo Príncipe Regente D. Pedro, depois Imperador do Brasil, que foi iniciado por proposta do Grão-Mestre José Bonifácio em 2 de agosto de 1822, adotando o nome histórico

de Guatimozim. 

 

O objetivo principal da criação do Grande Oriente do Brasil foi engajar a Maçonaria na luta pela independência do Brasil, sendo tal objetivo explicitado nas atas das primeiras reuniões da Potência, que determinava que só fosse iniciado ou regularizado quem se comprometesse lutar pelo ideal da independência do Brasil. 

 

O maior vulto da independência do Brasil, Joaquim Gonçalves Ledo, participou ativamente do movimento da independência através do engajamento das Lojas Maçônicas e dos Maçons, sendo Hipólito da Costa, o redator do Correio Brasiliense, o grande arauto das idéias de libertação da Pátria e em seguida do movimento republicano. Além dos vultos históricos mencionados, existe uma numerosa e extensa relação de Maçons eminentes, homens das mais elevadas posições sociais, estadistas, senadores, governadores, deputados, jornalistas, membros dos Quadros das Lojas Maçônicas que exerceram poderosa e eficiente influência na evolução e no desenvolvimento do país. 

 

Para isso, basta recordar que foram maçons do Grande Oriente do Brasil, todos os membros do primeiro Gabinete do Império: D. Pedro I, José Bonifácio, Marquês de Abrantes, Visconde Cairú, Visconde do Rio Branco, Saldanha Marinho, Visconde Vieira e Silva, Marechal Deodoro da Fonseca, Duque de Caxias - Patrono do Exército Brasileiro -, Drs. Macedo Soares e Ruy Barbosa - o "Águia de Haia". O envolvimento da Maçonaria no movimento abolicionista está patente através da participação de ilustres Maçons como, o Senador Eusébio de Queiros, que foi autor da lei que aboliu o tráfico de escravos, o Grão-Mestre Visconde do Rio Branco, que foi autor da lei do ventre-livre, além dos grandes abolicionistas Joaquim Nabuco de Araujo, José do Patrocínio e Rodrigo Silva, que apresentou o projeto da lei que aboliu a escravidão. 

 

O movimento republicano teve no Maçom Silva Jardim seu grande propagandista e no Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente e 1º Grão-Mestre da República, o seu maior exemplo de participação. 

 

Proclamada a República, o Governo Provisório foi constituído por oito membros, sendo seis maçons: Deodoro da Fonseca, Benjamim Constant, Rui Barbosa, Almirante Eduardo Wandelkolk, Quintino Bocaiúva e Campos Sales. Além dos ilustres brasileiros: General Henrique Valadares, Alcindo Guanabara, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, Drs. Narrey Júnior, Almirante Wandelkolk, General Benjamim Constant Botelho Magalhães, Rangel Pestana, Campos Sales, Quintino Bocaiúva, Silveira Martins, Hermes da Fonseca, José do Patrocínio, Luiz Gama, Manoel Arão, Prudente de Morais, Wenceslau Braz Pereira Gomes, Nereu de Oliveira Ramos e centenas de outros, de alto prestígio e respeito, entre os brasileiros, foram Maçons os Presidentes da 1ª República, Mal. Deodoro da Fonseca, Mal. Floriano Peixoto, Dr. Prudente de Morais Barros, Dr. Manoel Ferraz de Campos Sales, Dr. Nilo Peçanha, Mal. Hermes da Fonseca, Dr. Wenceslau Pereira Gomes e Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, além dos Presidentes Nereu Ramos e Jânio Quadros. 

 

Eduardo G. Souza   

 

Grande Oriente do Brasil/GOB-RJ

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