A minha Loja justa e perfeita

A minha Loja Maçônica compõe-se de homens cujos corações são sensíveis ao bem. Estes homens livres e de bons costumes, e que se reconhecem como Irmãos, reúnem-se para tratar dos mistérios da Maçonaria Especulativa.
Temos presente nesta Loja o Livro da Lei, sobre o Altar dos Juramentos, a nos lembrar os sagrados princípios da fé e da justiça.
Sobre o Livro da Lei repousam aqueles dois expressivos emblemas: o Esquadro e o Compasso, lembrando-nos das obrigações devidas à sociedade e a nós mesmos.
A Carta Constitutiva, muito embora os seus caracteres possam ter esmorecido com o tempo, é mantida imaculada por todos que dela são responsáveis, comprovando assim a regularidade da nossa Loja.
A nossa Tábua de Delinear faz-nos refletir sobre os detalhes, especificações e normas para erigirmos o nosso templo interior de acordo com as leis naturais e morais regidas pela consciência de cada um e os preceitos do Grande Arquiteto do Universo.
A presença da Pedra Bruta lembra-nos a árdua tarefa que temos pela frente, enquanto a Pedra perfeitamente esquadrejada e Polida espelha nosso objetivo.
Dentre as nossas ferramentas pessoais, a Régua de 24 polegadas não nos permite que esqueçamos a importância de equacionarmos bem o nosso tempo dentro e fora da Loja, enquanto que, o Maço e o Cinzel, nos sugerem determinação a ser exercida com inteligência.
O Esquadro adverte-nos que o caráter e o caminho de um Maçom devem ser traçados em esquadria e que todos os nossos atos devem estar em harmonia, como os encaixes ajustados e perfeitamente enquadrados de um edifício, resultando numa vida estável e virtuosa.
O Prumo lembra que a retidão de conduta do Maçom, deve ser uma vertical perfeita, e que, sob os princípios do direito e da verdade, não se inclinará mesmo sob as adversidades, enquanto que o Nível nos adverte que, como filhos do mesmo Criador, somos todos iguais perante o pai, a vida e a morte.
A Trolha lembra-nos que uma tríplice argamassa, composta de paz, harmonia e concórdia deve unir todas as nossas obras, mantendo o nosso edifício social e espiritual estável.
O formato desta minha Loja é o de um quadrilongo que vai do leste ao oeste, do norte ao sul, da terra ao céu e da superfície ao centro da terra.
É sustentada por três colunas; Sabedoria, Força e Beleza, e apoiada em terreno sagrado. As suas dimensões são ilimitadas e a cobertura não menos que o reluzente dossel do firmamento.
É a este firmamento que a mente do Maçom está continuamente voltada e é lá, nas alturas celestiais, que ele espera chegar com a ajuda da escada teológica, aquela que Jacó, no seu sonho, viu subir da terra ao Céu, despertando para estes três principais pontos: a fé em Deus, esperança na imortalidade e caridade a toda a humanidade.
A partir destes princípios gerais, a nossa Loja maçônica passa a ser um microcosmo ou todo o universo em miniatura, sobre a qual a glória espalha os seus refulgentes raios, tal como o Sol no firmamento, iluminando os Irmãos no caminho da virtude e da ciência.
Na minha Loja, a prática da virtude social e moral, é tão essencial em relação aos nossos Irmãos, e aplicada com o mesmo grau de aprovação ou censura, como deve ser o desempenho dos nossos deveres e obrigações públicas como cidadãos do mundo.
Cercados por nossos símbolos característicos distribuídos por toda a Loja, sentimo-nos integrados como parte da Loja Universal da Natureza; criada pelo próprio Grande Arquiteto do Universo, redimidos pelo sentimento de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Na minha Loja refletimos com seriedade acerca dos deveres e das obrigações que nos são incumbidos, e que nos levam a permanente prática da Virtude e da Moralidade que esses emblemas incorporam e recomendam.
Quando o nosso Venerável Mestre diz: “Irmãos, ajudai-me a abrir a Loja”, executamos esse pedido com todo o amor e força do nosso pensamento, iniciando assim, com a força da nossa egrégora, a construção de uma coluna de luz que, em consonância com a Sabedoria, a Força e a Beleza mantêm a nossa loja estável.
Quando nos é perguntado: O que viestes fazer aqui? A resposta é sempre dada com toda a sinceridade e pureza de coração: Vencer as minhas paixões, submeter a minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria.
E, quando finalmente a meia noite chega, de posse de nosso justo salário, nos despedimos contentes e satisfeitos, regressando assim aos nossos lares, prontos a espalhar sobre o mundo profano, a luz que recebemos, enquanto aguardamos ansiosos pelo próximo meio dia.
Francisco de Assis Góis
Fontes
Ritual do Aprendiz Maçom REAA – GOB
The Symbolism of Freemasonry – Albert G. Mackey
O Simbolismo na Maçonaria – Colin Dyer
A Simbólica Maçónica – Jules Boucher



