A retidão do caminho a seguir

Segundo definição dos dicionários da língua portuguesa, a palavra retidão possui as seguintes significações:

  1. Qualidade de reto.
  2. Conformidade com a justiça, com a lei, com a razão, com o direito.
  3. Lisura de procedimento.
  4. Sem curvatura nem flexões, direito.
  5. Justo, verdadeiro, juízo reto.
  6. Íntegro, imparcial, equânime.

A expressão que intitula a presente peça é, a exemplo do que faz a Maçonaria, utilizada por inúmeras correntes doutrinárias, de fundamento religioso, filosófico ou simplesmente social. Trata-se de uma sustentação moral aplicável a qualquer grupo que pretenda imprimir ordem e justiça em suas rotinas.

No antigo Egito, o faraó Akhenathon, considerado um homem justo, que soube implantar princípios de igualdade e convivência pacífica em sua sociedade, agia com a convicção de que, baseando-se na retidão de caráter e justiça, poderia dispensar atos de guerra e até mesmo conquistar seus inimigos pela convivência harmônica, pela coexistência. Acreditava que a igualdade operaria sempre a seu favor, e dessa forma, tornou-se autor de um dos mais respeitados reinados da História.

O código de honra dos samurais, chamado Bushido, manifesta igualmente a expressão, em suas fontes, também conhecidas como cinco virtudes cardinais, que são:

  1. Retidão, que compreende valor, fraternidade, integridade e pureza.
  2. Benevolência, que inclui espírito público e piedade filial.
  3. Correção, que engloba respeito, caução, humildade e deferência.
  4. Conhecimento, que inclui conhecimento do homem, da natureza e do destino.
  5. Boa Fé, que compreende verdade, sensibilidade, sinceridade e honestidade.

O código trata de puro conhecimento como meio para aquisição de sabedoria, o fim a que se propõe. Trata-se da doutrina que forjou gerações de mestres e discípulos que hoje vemos praticando artes marciais nobres como o judô, em que, antes de mais nada, se ensinam princípios morais e filosóficos que nortearão o praticante no caminho da disciplina e honradez deportivas. A retidão é o mais poderoso preceito no Código do Samurai. Não há algo mais repugnante para um Samurai do que atos dissimulados. Para eles, retidão é a faculdade de decidir certa linha de conduta, de acordo com a razão, sem titubear. Morrer quando é justo morrer, matar quando é justo matar.

O tema desta peça é ainda apreciado na doutrina judaica. A palavra hebraica Tzedka é comumente usada como justiça ou retidão. O próprio Antigo Testamento manifesta, especialmente nos profetas, como caminho do Senhor, o da prática da retidão e da justiça, da retidão do coração, da verdade e da benevolência.

No Corão dos muçulmanos, igualmente existem passagens orientadoras do comportamento dos fiéis, como a que segue: “afastarei dos meus versículos aqueles que se envaidecem sem razão, na terra e, mesmo quando virem todo o sinal, nele não crerão; e, mesmo quando virem a senda da retidão, não a adotarão por guia. Em troca, se virem a senda do erro, tomá-la-ão por guia. Isso porque rejeitaram os nossos sinais e os negligenciaram”

Já no Budismo, segundo o conjunto de ensinamentos deixados pelo príncipe indiano Sidarta Gautama, a palavra Dharma significa viver a prática das virtudes: evitar mentir, roubar e matar, buscar autocontrole, discernimento entre o certo e o errado, exercitar a caridade, a generosidade e a bondade. Cultivar a compaixão, a sabedoria e o altruísmo. Viver o Dharma significa portanto, seguir manifesta retidão de caráter, a exemplo das correntes já mencionadas.

Para nós maçons, tal retidão, manifestada fisicamente pela posição dos pés em esquadro, representa todo o conjunto de qualidades humanas que se exigem de um integrante da Ordem. É o fundamento do homem livre e de bons costumes que se propõe, desde a iniciação, a evoluir como maçom, desbastando a pedra bruta e crescendo na filosofia e prática de igualdade, numa demonstração de aperfeiçoamento cultural e moral que o levará ao desenvolvimento da retidão interior, a verdadeira estrutura do homem de bem.

O caminho a seguir, para o maçom, é, portanto, aquele em que vai exercer o bem e a justiça como princípio comportamental e espiritual, devendo sempre que possível, atuar como formador de opinião e, na medida de suas possibilidades, exercer influência social benigna, de orientar e cativar pessoas na direção do desenvolvimento humano, na direção de, como bem diz nosso Irmão Chanceler, tornar feliz a humanidade.

Autor

Augusto Soares Rodrigues de Souza