AFINAL, O QUE É "FUNCIONAR ORGANICAMENTE"?

Há sempre manifestações feitas após a publicação dos artigos dominicais, e, desta vez, elas se referiram ao que significa “que a Loja deve funcionar organicamente”, mencionado no artigo 1.075 – Corregulação Maçônica.

Uma das formas de entendimento do termo “organicamente” está ligada ao conceito de ser vivo. Todavia, seria a Loja um “ser vivo”?  Em âmbitos alegórico e filosófico, sim! Platão argumentava que o “ser” é o “poder existir”, e, sem dúvidas, uma Loja Maçônica existe.

Mas ela é “viva”? Mais uma vez, sim! O adjetivo “vivo” significa “que tem vida”. Quando a Loja está pujante, dizemos que suas Colunas estão fortemente erguidas, e quando um Irmão morre, o simbolismo é uma coluna quebrada – ciclos e realidades da vida.

Sendo, então, a Loja um ser vivo, devemos nos concentrar na naturalidade, espontaneidade e organização dos “órgãos” que a compõem. Os órgãos são os “locais de trabalho”, os quais são mais importantes que os Oficiais, as Dignidades e as Luzes.

Entendam que, para o “ser vivo” Loja Maçônica, a Tesouraria é mais relevante que o Tesoureiro; a Hospitalaria, indiferentemente de quem esteja conduzindo o Tronco, é o coração da Loja e, se parar de bater, tornamo-nos “zumbis”.

Os Irmãos são o “sangue” da Loja e devem fluir, estar dispostos para atender a todas as demandas funcionais (ocupação de cargos) e, por conseguinte, colaborar para tudo o que dá vida aos trabalhos maçônicos.

As batidas vigorosas do coração resultam em ele ser o primeiro beneficiado do sangue arterial vindo do pulmão. Quando a Hospitalaria cumpre sua missão, quem é o primeiro a ser agraciado com as vibrações de gratidão?

Se as cerimônias ocorrem justas e perfeitas, quem é o primeiro a se sentir realizado? Sendo assim, todos nós devemos, com carinho, dedicar a este corpo imaterial, a este espírito tocável e a esta alma compartilhada o melhor de nosso sobro.

Cheguemos mais cedo, arrumemos a Loja, acolhamos os Aprendizes, estreitemos nossos laços com os Companheiros, procuremos mais interação pós-sessão. Sobretudo, compreendamos que o que hoje usufruímos foi graças às gerações anteriores e, por isso, temos a obrigação de deixar um legado para as futuras gerações de Irmãos.

Neste momento, lembrei-me do Irmão Servio P. Ribeiro, o mais ecológico dos Irmãos. Nessa linha, também devemos, do ponto de vista alegórico, entender a Loja como um sistema holístico de “produção orgânica de Maçons”, decerto visando à promoção e à melhora da “saúde” do ecossistema maçônico.

E quais seriam os pontos dessa abordagem? Deixem os ciclos acontecerem de modo natural e não apressem sessões de elevação ou exaltação. Isso resulta na colheita de frutos defeituosos. Todo ser vivo tem seu ciclo e evolui por conta própria. Os “fertilizantes sintéticos”, no lugar das instruções ritualísticas, formam frutos de casca grossa (vaidade) e conteúdo insípido (tolice).

Os pontos de destaque dessa alegoria são que, para o florescimento e o alcance da verdadeira luz, torna-se necessária a “manutenção do solo” (iniciações), a “rotação de culturas” (Sessões em Graus 1, 2, 3), a “consorciação de culturas” (intervisitação), a “adubação verde” (envolver a família), a “compostagem” (valorizar os mais velhos) e o imprescindível “controle biológico de insetos e doenças” (Câmara do Meio).


Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club