AFINAL, O QUE É REFLEXÃO?

Uma das mais profundas instruções maçônicas é que REFLEXÃO É A VIDA DA ALMA. No entanto, não percorreremos caminhos religiosos para sustentar essa verdade, até porque a Maçonaria não é uma religião e, em nosso quadro de obreiros, encontramos as mais diversas denominações e conceitos sobre a formação do Ser Humano.

Alguns entendem o Ser Humano como a somatória do material e do espiritual (corpo e espírito). Contudo, há a vertente da tríade (corpo, alma e espírito).

O significado de alma, em latim, é “sopro da vida” e, em grego, “psykhé”, no sentido de pensamentos e vontades. Unindo essas duas vertentes, a alma seria o que anima o corpo por meio das emoções, servindo de referência comportamental em sua personalidade, “transformando” o Ser Humano em um Ser vivente.

É, pois, esse o conceito filosófico pregoado por Aristóteles que definiu a alma como a forma que atribui vida ao corpo. Por sua vez, a Psicologia associa a alma à mente, bem como, nos ditos populares, remete-se à alma como o próprio Ser em identidade: “É uma alma boa!”.

Sendo a alma a identidade de um Ser Humano, então o homem passou a constituir uma alma vivente, e o que vive, demanda prudência, consciência e sustentação. É esse cuidado que devemos ter em relação ao próprio processo de entendimento, na atenção aos eventos materiais e o que surge no plano das ideias: a isso chamamos reflexão.

A prudência é resultado da reflexão; a consciência vem pela reflexão; e a sustentação é o ápice da reflexão. Por isso, distinguimo-nos dos animais irracionais, os quais se entregam aos mais grosseiros instintos.

Nosso primeiro contato com os valores da Maçonaria ocorre em um ambiente propício à reflexão, cuja principal diretriz é refletir sobre o destino. Ao assinarmos um testamento, de forma simbólica, separamos a matéria do espírito. Mas o guia representa a alma, que anima o candidato, caminha junto e se propõe a responder por ele.

Na contramão dos que querem modernizar a Maçonaria, colocando-a em condições semelhantes a empresas, como uma Maçonaria executiva, reafirmamos que a Maçonaria é especulativa, em que o especular significa investigar de maneira reflexiva, a fim de melhorar ou mudar nossas disposições de natureza moral.

A palavra “reflexão” origina-se do latim “reflexio,onis”, derivada do verbo “reflectere”, que significa “refletir”, e também de “flectere”, com sentido de dobrar-se.

Em aspecto simbólico, a reflexão pode ser trabalhada no propósito de dobrar-se na duplicação de ações e na multiplicação de Sãos Princípios, caminhando pelo “pensar muito” (meditar). Do mesmo modo, o dobrar-se que se refere à humildade, de tomar ciência, mediante reflexões, de sua pequenez. Por último, há também um sinônimo maçônico provocador, que é congeminar.

Congeminar significa arquitetar algo de forma detalhada, às vezes até em segredo. Assim, em âmbito maçônico, impomos um freio salutar à impetuosa propensão da imprudência, da inconsciência e da refutação. Congeminar também é irmanar e compreender como é bom e agradável os Irmãos conviverem neste mundo material em fraterna união. É uma benção espiritual derramada sobre a cabeça, que alcança a sola dos pés. Sente-se a alma que desce dos céus, pois O CRIADOR CONCEBE A BÊNÇÃO DA VIDA A TODOS QUE REFLEXIVAMENTE VIVEM.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club