ANEDONIA, A GRANDE VILÃ DAS NOVAS ADMINISTRAÇÕES

Durante a semana passada, centenas de novos Veneráveis Mestres foram instalados, um momento muito especial na vida maçônica dos Mestres Maçons que se colocam à disposição para servir aos Obreiros de sua Loja.

Por isso, parabenizo as Lojas que passaram por um processo sucessório, e não “eleitoral”. O rito preparatório das Grandes Luzes não traduz um processo burocrático, mas a confirmação da capacidade dos Obreiros em qualificarem quem estará à frente dos trabalhos. Sob o véu da alternância no poder, escondem-se aqueles que não tiveram capacidade de se destacar pelas virtudes e enveredam pelos torpes caminhos da politicagem.

Retornando ao tema, esperamos que nosso Venerável Mestre seja nosso líder e esteja pronto para tudo e todos. Contudo, em verdade, não é assim que ocorre, visto que toda Loja Maçônica é formada por um grupo heterogêneo, e apenas uma mente não é capaz de abarcar todos os desejos e diretrizes que brotam no Ocidente e no Oriente.

Inviável é, pois, as novas administrações terem ideias, ações e comportamentos que visem à criação de uma identidade própria, no intuito de marcarem uma época e, no futuro, dizerem de forma vaidosa: “no meu veneralato...”. Elas não devem almejar isso, uma vez que, ironicamente, saudamos o VM com um “Salve”, e muitas vezes o que se faz necessário é “Salvem o VM”.

Então, permitam-me lembrar a missão do lápis na mão do VM, instrumento adequado para as anotações de tudo quanto possa promover ou restabelecer o desenvolvimento dos trabalhos e a egrégora da Loja.

COM O LÁPIS, TRAÇAMOS AS RETAS QUE LIGAM O QUE FAZER A QUEM O FARÁ.

Às vezes, o Venerável pode achar que os Obreiros estão com preguiça, má vontade ou desinteresse. Nesse caso, a vilã é a anedonia, nome atribuído à falta de prazer em cumprir uma “boa” ou “simples” tarefa. É nesse ponto que entra o tirocínio do líder. Afinal, conforme pontuado, em um grupo heterogêneo, como é uma Loja, não há uma ideia, missão, propósito único ou tratamento homogêneo nos trabalhos maçônicos.

Os labores são cotidianos e para todos, no princípio, eram considerados interessantes. Entretanto, começa a surgir dentro do Irmão a pergunta de “por quê” e “para quê” estar ali. Logo, o VM deve deixar de ser Salomão para ser Freud e compreender que todos nós necessitamos de recompensas psicológicas. Estas são as endorfinas e serotoninas provenientes da alegria de executar uma missão ou tarefas com as quais temos afinidade.

Por mais estranha que pareça essa abordagem na Maçonaria, para a construção de uma Loja forte e atuante, nosso Venerável Freud, sentado no Trono de Schopenhauer, deve fazer uma abordagem psicológica, focada em metas de curto prazo e orientada para a solução de problemas atuais. Assim, entendendo cada perfil e encaixando cada peça do quebra-cabeça, que é uma Loja, em seu lugar.

No mundo profano, a anedonia é tratada de várias formas. Traçando um paralelo alegórico com propósito de trazer empenho, eficiência e, sobretudo, alegria para este novo ciclo das Lojas, os Veneráveis Mestres devem disponibilizar aos Obreiros: boa alimentação (Quarto de Hora de Estudo); exercícios regulares (sessões em graus de Aprendizes, Companheiros e Mestres); sono adequado (cumprimento dos horários); e momentos de lazer (reuniões extratemplo).

DESSE MODO, A FALTA DE PRAZER EM PARTICIPAR DAS SESSÕES, SE DISSIPA QUANDO O OBREIRO SENTE O QUANTO É BOM E SUAVE ESTAR ENTRE IRMÃOS E AMIGOS E QUE ELE PODE SER A BENÇÃO DOS IRMÃOS E AMIGOS.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club