As três viagens simbólicas no Rito Moderno Maçônico

INTRODUÇÃO
No Rito Moderno, as três viagens simbólicas na iniciação do candidato representam sua purificação e a superação das dificuldades da vida através da razão e da virtude. Elas simbolizam as etapas de desenvolvimento humano e moral, representando as fases da vida e o caminho do homem em busca da Luz.
As três viagens não são meras representações, mas verdadeiras lições filosóficas sobre a evolução do ser humano desde a infância, passando pela juventude, até alcançar a maturidade. Cada viagem simboliza uma etapa da construção do homem livre e de bons costumes, em conformidade com os princípios de Solidariedade, Moral e Luz.
PRIMEIRA VIAGEM
Infância
A primeira viagem simboliza o início da vida humana. O iniciado, privado de luz, representa a criança que chega ao mundo sem conhecimento e sem forças, dependendo totalmente de seus pais e do meio que a acolhe.
Na viagem, os dois maçons que o sustentam simbolizam os Pais, que o guia nos primeiros passos. Juntos, formam a Família, célula fundamental da sociedade e primeira expressão da solidariedade humana.
O terreno irregular por onde caminha, simboliza as dificuldades e desigualdades da vida, as quais moldam o caráter e fortalecem o espírito. Ainda neste sentido, a primeira viagem é marcada por ruídos e trovões, representando aqui os primórdios do homem e da sociedade, conduzidos ainda pelas paixões e excessos que não foram dominados pela razão, ou seja, o homem no seu estado e mundo profano.
A viagem é, ainda, o emblema da vida humana; túmulo das paixões; o choque dos diversos interesses; a dificuldade das empresas e os obstáculos que se multiplicam sob vossos passos, empenhados em vos desgostar.
SEGUNDA VIAGEM
Juventude - Mestre
A segunda viagem corresponde à juventude, fase em que o homem passa a buscar o saber e a formação intelectual.
Diferente da primeira viagem, agora já não é mais guiado apenas pelos pais, mas sim conduzido por um Mestre, símbolo do instrutor que transmite o conhecimento e direciona o aprendiz na senda da virtude, para o tornar um homem útil para si mesmo e para a sociedade.
Assim, o Mestre entra na vida do jovem para o desenvolvimento das faculdades intelectuais e profissionais, no apoio na procura da luz. Aqui não se fala apenas de uma pessoa em específico, mas toda aquela ao seu redor munidas de caráter e intelecto, dispostos nessa missão de condução.
Durante a viagem, ouvem-se os tinidos de armas, que configuram os combates morais que o homem enfrenta contra o vício, a ignorância e as paixões desordenadas.
A diminuição das dificuldades nesta etapa simboliza que o homem, ao perseverar na prática do bem e da virtude, encontra maior harmonia em seu caminho. Quanto mais ele persevera, mas agradável ele se torna.
A segunda viagem, portanto, é uma etapa de transição, e caracteriza-se por uma estrada menos difícil do que a primeira, mas não menos importante.
TERCEIRA VIAGEM
Idade Madura – O Amigo
A terceira viagem simboliza a idade madura, quando o homem chega à sua plenitude moral e intelectual. Ele já caminha com passo firme, consciente de sua missão no mundo e de suas responsabilidades perante os outros.
Interessante notar que no começo da viagem, o Maçom que o conduz diz: “APOIAI-VOS em mim.”
Neste sentido, mesmo o homem já maduro necessita de auxílio e orientação. A figura do amigo que o apoia representa a Fraternidade Maçônica, que sustenta seus irmãos nas horas de dor, doença ou injustiça, ou ainda no momento do erro, ao receber de um semelhante mais sábio, preciosos conselhos.
Terminada a viagem, antes de receber a Luz, o iniciado é convidado a praticar o dever maçônico de ajudar os necessitados, como as viúvas, órfãos e irmãos em algum tipo de dificuldade, mas de modo discreto. Esse gesto reforça o princípio de que a verdadeira beneficência deve ser silenciosa, movida pela compaixão e não pela vaidade.
Finalmente, o candidato prepara-se para receber a Luz, não a luz física, mas a Luz do Espírito, que ilumina o entendimento e conduz à verdade.
CONCLUSÃO
As viagens expõem o candidato a refletir sobre as dificuldades e as atribulações da vida em busca de sua evolução espiritual. Em minha iniciação, apesar de estar nervoso, consegui refletir e visualizar o que cada fase representou e representará em minha vida.
Cada iniciado é convidado a refletir sobre sua própria trajetória humana e a Maçônica nos ensina que o verdadeiro aperfeiçoamento não se alcança num só momento, mas é resultado de um caminho contínuo de aprendizado, humildade e serviço ao próximo.
Apesar das viagens retratarem as fases da vida, num caminho que vise, com a devida maturidade, o conhecimento da Luz, via de regra, sempre há tempo de estar junto aos pais e família, estar abertos aos ensinamentos dos Mestres e prontos a receberem o apoio dos amigos.
Estudando e refletindo sobre o tema, ao receber a Luz, ao final das viagens, o iniciado tornar-se consciente do dever de ser Justo, Fraterno e Virtuoso, reconhecendo que a maior sabedoria está em ter a humildade de reconhecer sua pequenez de que somos dependentes, independente da fase que estejamos, e que ajudar e ser ajudado é a recíproca que valida todo o percurso.
Eduardo Foglia Villela
Or.·. de Presidente Prudente-SP
Referências Bibliográficas
• Grande Or∴ Paulista (GOP). Ritual de Aprendiz Maçom - Rito Moderno, 2022.
• Grande Or∴ Paulista (GOP). Manual de Dinâmica Ritualística para o Rito Moderno, 2015.



