BALANDRAU É VESTIMENTA MAÇÔNICA?

Esse tema é uma questão universal ao mesmo tempo importante e irrisória. Quando me perguntam, a resposta vem de anos de estudo e observação, e, de forma categórica, declaro: “Não sei!”
O QUE SEI É QUE A VESTIMENTA DO MAÇOM É O AVENTAL!
Por incrível que possa parecer, “vestimenta maçônica” é diferente de “vestimenta do Maçom”. O Maçom Aprendiz usa o avental de Aprendiz; o Maçom Companheiro, o avental de Companheiro; o Maçom Mestre usa o avental de Mestre, e o Maçom Venerável Mestre veste o avental de Venerável Mestre, o colar de Venerável Mestre, os punhos de Venerável Mestre e um chapéu.
Observem, porém, que não descrevi as alfaias, pois estas variam conforme o Rito e a Potência. Há, inclusive, Potências que prescrevem aventais diferentes para o mesmo Rito. É aí que se encontra a chave para a questão das vestimentas:
A VESTIMENTA MAÇÔNICA É SECULAR,
A VESTIMENTA DO MAÇOM É CONSUETUDINÁRIA.
A vestimenta maçônica é secular por estar relacionada à vida temporal e às coisas do mundo e da vida, sendo estipuladas, mudadas e criadas em tempo presente. A Comissão de Ritualística da Potência, com amparo em suas prerrogativas, estipula cores, tamanhos e adereços – alguns com a justificativa ritualística que apresentam e outros para dar lustro a vaidades de “nobres assessores” que sequer um dia foram eleitos por seus pares para serem o Venerável Mestre da Loja. Mais triste ainda é que eles se assentam no Oriente (lugar dos Mestres Instalados) e, quando em Sessão de Instalação, retiram-se junto com os Aprendizes, Companheiros e Mestres.
Por sua vez, a vestimenta do Maçom, ou seja, o Avental é uma tradição, a verdadeira essência da Maçonaria, uma vez que consiste na mais honrosa insígnia do verdadeiro iniciado, pois configura o emblema do trabalho. Por isso, somos chamados de Obreiros e devemos sempre estar ativos e laboriosos. Tal instrução é passada de geração em geração, independentemente de Ritos e Potências.
E o Balandrau? Ele é uma “adaptação” para a padronização das vestes dos presentes à sessão. O mais incrível é que não há uma padronização universal. Encontramos Potências que estipulam terno preto, terno escuro ou simplesmente terno e, mesmo assim, ninguém vai, de fato, de terno (calça, colete e paletó). O traje habitual é o costume (calça e paletó de mesma cor), mas, em vários lugares do mundo, fica intrínseco que se deve participar de uma sessão maçônica trajado sobriamente, ou seja, com simplicidade e discrição, sem ostentação.
O BALANDRAU É, PORTANTO, UMA TOLERÂNCIA INSTITUCIONAL.
A maioria das Potências Maçônicas não proíbe, mas regulamenta o uso e adverte o mau uso, tornando-se uma “benevolência” à realidade funcional de alguns Irmãos que, após o trabalho, dirigem-se diretamente à Loja, sem condições de passar em seus lares para colocar o costume e a gravata. Essa “boa vontade” fez-se necessária diante do cotidiano de Irmãos militares, servidores da área de saúde ou funcionários que trabalham com o uniforme da empresa.
Há, contudo, dois detalhes dos quais não se pode abrir mão. O primeiro é que, em Sessões Magnas, pela grandiosidade do evento, usamos o traje prescrito pela Potência: sapato preto, meia preta, calça preta, cinto preto, camisa branca, gravata na cor do rito e paletó preto. Nas Sessões Públicas, não usamos Balandrau. É uma veste que, no inconsciente coletivo, está ligada à religião (sacerdotes) e à magia (bruxos), e estaremos recebendo em nossa Loja pessoas com pré-conceitos sobre nossos labores.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
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