Bálsamo da paz

 

O ser humano precisa frequentemente de bálsamo de paz e alegria; ainda mais as pessoas que são fulminadas por ansiedade momentânea, por um lampejante mal-estar físico e psíquico; que são atacadas por instantes de angústia e temor; que são travadas por pânicos inesperados.

 

A angústia de muitos moribundos que sofrem algum mal desconfortante da mente, algumas vezes, vem em forma de flecha lançada, com a força da destruição tsunâmica de uma dor descontrolada. Ela afeta o ponto mais frágil da condição de reação, repito, e pode aparecer ao meio dia, depois de uma soneca, num momento tranquilo, ou em qualquer instante inesperado.

 

Um afago amigo, um afeto amoroso, um diálogo ressuscitador, a necessária 

 

compreensão, um ouvido piedoso, uma palavra reconfortante, a oração, com reza e ação, uma reflexão misericordiosa de se colocar na posição alheia, tudo pode ser esse bálsamo; muitas vezes, melhor que qualquer medicamento. Ele também pode ser um mistério, que a mente humana não decifra, explica ou entende. Na sofreguidão súbita, tudo que se foi, se destrói nessa areia movediça desse novo maltrataste templo.

 

Necessitamos acreditar na volta do instante de paz, que se repetirá, e passará a ser mais duradouro, interessante que certas pessoas, de forma inconsciente, quando veem esse bálsamo chegar, criam uma culpa sem trégua e passam a desprezá-lo, como uma necessidade de punição.

 

Há certos momentos na vida que precisamos nos exigir menos e nos confortar mais. Essa flechada vem com a velocidade da inóspita destruição e sai com passos tartarugais. Mas sai…

 

Acreditemos. O rumo da esperança voltará. A vida é breve e merece ser bem vivida.

 

Russen Moreira Conrado

Médico e escritor.

Publicado originalmente no “Diário do Nordeste” - Opiniões.

www.diariodonordeste.verdesmares.com.br

"A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações"
 
Mahatma Gandhi
"Jamais permita que os nós tapem a vista da janela, pois será através dela que enxergaremos a oportunidade dos laços!"

 

Áureo dos Santos