Chegando aos 60!

 

Na maturidade estamos em melhores condições do que na adolescência, porque o que o jovem ainda espera conseguir, isso, já conseguimos. 

Assim como no teatro ocorre um último ato, assim na maturidade, ato da vida no qual se faz a colheita, de forma alguma podemos fracassar. 

Nascemos da vida e para a vida, inicialmente belos, bons, puros, e não perder essa condição é necessário. Pitágoras proibia que alguém abandonasse o posto em que a vida o colocou. A "fase sobremesa" é o corolário das ações vividas. Daí advém que as pessoas mais velhas muitas vezes são mais cordiais e mais animadas do que as pessoas jovens. 

Solon, perguntado sobre que o deixava tão forte, respondeu: "a velhice". A fruta madura sente-se plena, é doce, natural sobremesa. Tudo o que existe na grande vida é belo, depende apenas das pessoas. Não importa quem seja o dirigente, o valor está na harmonia do movimento, no seu sincronismo, na sua intencionalidade. 

Na positividade da ação, encontra-se vida, beleza, alegre caminhar. O belo e o prazer fazem exaltação do ser, portanto, a idade madura, entendida como aquela situação de elevado equilíbrio, porta paz e satisfação a todas as percepções: a "fase sobremesa" é prevista, é uma necessidade intrínseca ao ato de existir. Quanto a mim, esta maturidade cada vez me agrada mais e mais..., quanto mais avanço nos anos, mais tenho a impressão de "terra à vista", de vislumbrar o porto onde me aguardam suculentas romãs depois de longa e árdua navegação. 

E assim a vida vira pluma, festa, doce e serena alegria, inefável criatura, lábios de mel, olhos de luz...Doce momento de amor vivido.

Alice Schuch

Pesquisadora

Elaborado originalmente em "Opinião" do Diário do Nordeste.

"Jamais permita que os nós tapem a vista da janela, pois será através dela que enxergaremos a oportunidade dos laços!"
Áureo dos Santos