CRONICAMENTE ON-LINE

Nos últimos anos, acompanhamos estudos sobre o impacto das novas tecnologias na juventude. Nesse aspecto, deparei-me com quadros e situações análogos ao que vivenciamos no mundo maçônico.
Todos nós já presenciamos jovens usando linguagens e símbolos da cultura da internet, que vão lhes moldando a personalidade e a própria perspectiva da vida e seus valores, sob o prisma do mundo virtual. Além, é claro, do tempo de dedicação e da desconexão relacional com a realidade.
Um exemplo é que o jovem substitui os substantivos por adjetivos e cria uma linguagem hermética, destinada apenas àqueles que perambulam pelas estradas de algum código-fonte, inacessíveis aos não iniciados nos augustos mistérios do JavaScript.
Nesse ambiente, “informações” e “verdades” são disponibilizadas sem ou com referências obscuras, em que vale mais a performance da oratória do que o conteúdo provocador à reflexão.
Decerto, a tecnologia favoreceu a difusão de informações maçônicas, mas não resultou na entronização moral do Maçom. A participação em qualquer evento on-line sério de Maçonaria pode ser interessante, porém não pode substituir a presença “em Loja, meus Irmãos”.
HOJE ENCONTRAMOS IRMÃOS QUE PARTICIPAM MENSALMENTE DE DEZ EVENTOS ON-LINE
E NÃO VÃO, SEQUER, UMA VEZ POR MÊS À SUA LOJA.
Com exceção às questões que envolvam problemas de saúde, nenhuma atividade substitui o convívio com os Irmãos em Loja. Talvez não estejamos atentos à negatividade do CRONICIDADE ON-LINE NA MAÇONARIA.
Compartilho com os Irmãos e proponho um debate em um Quarto de Hora de Estudo: está havendo “difusão maçônica” ou palco para “Respeitabilíssimos Coaching Maçônicos”? Esta semana, por exemplo, recebi um vídeo convite para um podcast, em que um participante declarou possuir mais de 20 anos de Maçonaria. Eu, ciente de que essa pessoa nunca fora iniciada, fiz minhas indagações, e a resposta foi que “convive” e participa de atividades e entidades paramaçônicas há décadas.
Imagine só: você passa por dentro de um parque durante anos, observando, vendo e ouvindo conversas entres os jardineiros e, por isso, intitula-se um botânico! Ademais, um Irmão, em bom tom, declarou que tudo produzido pelos pensadores maçônicos brasileiros está errado. Penso que, se até hoje temos os “corretos aventais azuis” ao lado dos “corretos aventais vermelhos”, décadas de instruções estão erradas?
Em virtude dessa MAÇONARIA CRONICAMENTE ON-LINE, já não somos mais MAÇONS ESPECULATIVOS. Não mais teorizamos, conjeturamos, investigamos ou observamos algo de forma minuciosa. POSSO ESTAR ERRADO, mas noto muita passividade, teorização e um academicismo desnecessário. MAÇONARIA É IRMANDADE, É ESTAR AO LADO DO IRMÃO. NOSSOS SENTIDOS SÃO NOSSOS MAIS SÁBIOS CONSELHEIROS, E PARA, DE FATO, SENTIR A MAÇONARIA, É PRECISO A PRESENÇA FÍSICA.
Maçonaria é uma escola de moral e ética. Estes valores não são matérias de bancos escolares. Assim como na vida, aprendemos mais pelo exemplo do que pela teoria, e o exemplo são as condutas. Posso saber toda a história da minha Loja, mas somente convivendo com os Irmãos é que aprenderei seus valores.
Água é essencial para a vida, mas também, se morre afogado.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club




