Da Pedra Bruta ao Mestre Interior

Reflexão sobre o despertar do mestre interior e o trabalho da pedra bruta na senda maçônica

“O verdadeiro templo a ser construído é o homem que se conhece e se transforma”

Dedicatória

Aos Irmãos que buscam a Luz – em espírito de Sabedoria, Força e Beleza -, que perseveram no silencioso labor de lapidar a própria pedra bruta, com humildade, amor e fé no Grande Arquitecto do Universo.

A Pedra Bruta – Símbolo do Homem Natural

No início da jornada maçônica, o homem se depara com a sua própria natureza – imperfeita, instintiva, cheia de arestas e sombras. Essa é a pedra bruta, que representa não o erro, mas o potencial não lapidado que todo iniciado carrega dentro de si. A Maçonaria não busca destruir a pedra, mas revelar a forma que nela habita, conduzindo o homem ao autoconhecimento. Cada Irmão é, em essência, um bloco de possibilidades que o Grande Arquitecto confiou à própria vontade para ser moldado. A iniciação apenas desperta o sentido do trabalho: cabe ao próprio homem empunhar o malho e o cinzel da sua consciência e começar a edificar-se por dentro.

O Trabalho de Lapidação – Disciplina e Autoconhecimento

O labor sobre a pedra é contínuo, silencioso e, muitas vezes, solitário. O aprendiz aprende o valor da paciência e da disciplina; descobre que o maior inimigo não está fora, mas dentro de si mesmo. Lapidar é vencer a aspereza do orgulho, da vaidade e da ignorância. É substituir o ruído do mundo pelo som compassado do trabalho interior. A Loja torna-se o espelho onde o Irmão observa as suas próprias imperfeições refletidas nos olhos dos demais.

Assim, pouco a pouco, aprende que a verdadeira construção é moral, e que cada golpe do cinzel é um ato de fé na obra que o Grande Arquitecto espera dele.

A Descoberta do Mestre Interior – O Despertar da Consciência

Quando o iniciado compreende que a Maçonaria não está fora, mas vive dentro do seu ser, ele dá o  primeiro passo em direção ao Mestre Interior. Esse mestre não é uma figura simbólica, mas o estado de consciência em que o homem se torna senhor das suas ações e dos seus pensamentos. É nesse estágio que o Irmão entende que o verdadeiro segredo maçônico não está nas palavras, mas no silêncio que as sustenta.

Ser mestre é deixar de buscar fora o que sempre esteve dentro; é perceber que o templo que constrói com as suas mãos é o mesmo que o Divino habita no seu coração.

A Construção do Templo Vivo – O Serviço à Humanidade

A pedra lapidada, uma vez pronta, não serve apenas para enfeitar o templo, mas para sustentá-lo. Do mesmo modo, o Maçom que alcança a luz não o faz para si, mas para servir à humanidade.

O verdadeiro Mestre transforma a sua sabedoria em fraternidade, a sua luz em guia, o seu silêncio em consolo. Ele não se exalta por ter chegado mais alto, mas se inclina para ajudar os que ainda iniciam a subida. A Maçonaria, portanto, é uma escola de serviço, onde o ego é substituído pela humildade e o saber pela compaixão.

Conclusão – A Luz na Pedra Lapidada

A jornada da pedra bruta ao mestre interior é a própria história da alma humana em busca de si mesma. Não há pressa neste caminho, pois cada golpe do cinzel tem o seu tempo. O que importa não é a perfeição alcançada, mas a consciência do trabalho contínuo. O verdadeiro mestre sabe que ainda há muito a lapidar, mas segue confiante, guiado pela Luz do Grande Arquiteto do Universo.

Que cada Irmão encontre na sua pedra o reflexo da Luz que o Grande Arquiteto depositou no seu coração.

Eduardo Luiz Gabardo Martins
Loja Maçônica Cidadania e Justiça nº 144, Oriente de Curitiba

Publicado: https://www.freemason.pt/