Desafio e Liderança

 
Toda nação em guerra precisa de muita competência para sobreviver.

Não é por acaso que a maioria das descobertas e inventos bélicos, tecnológicos ou medicinais tenha acontecido exatamente em épocas de guerra. É também durante estes conflitos que aparecem os grande líderes. Uma sociedade em crise precisa de orientadores com extrema capacidade de liderança.

A história da humanidade está repleta de exemplos da importância do verdadeiro líder em momentos de adversidades extremas. Nestes momentos, precisamos de pessoas capazes de fazer despertar algo extraordinário dentro de cada um de nós.

Antes da batalha "Alexandre o Grande" energizava seus guerreiros, chamando-os pelos nomes, falando de suas famílias e de seus valores e isto fazia brotar uma força e uma coragem nunca vistas, capazes de vencer qualquer adversário e de conquistar o "quase impossível".

Existem inúmeros outros exemplos da importância do papel do líder em momentos como estes.

Embora muitos não tenham percebido, vivemos uma verdadeira guerra dentro do mundo corporativo. Os trabalhadores precisam desenvolver habilidades extraordinárias, de forma extremamente veloz e precisam buscar mais conhecimento e atingir metas cada vez mais desafiadoras. Isto sem considerar períodos cada vez mais longos de trabalhos diários, diante de monitores e máquinas, atendendo clientes, andando pela fábrica, melhorando os processos, gerenciando pessoas, solucionando conflitos, tomando decisões ou participando de reuniões.

O ambiente é tão complexo que se torna cada vez mais desafiador às entidades educacionais, prepararem suficientemente as pessoas para o mercado de trabalho. O ambiente corporativo é mais exigente e competitivo do que o ambiente educacional, gerando um grande "gap".

Se tudo é assim tão desafiador, passamos a viver em constante ameaça. Ameaça que gera medo, desconforto, stress e conflito. Não é por acaso que encontramos uma sociedade laboriosa emocionalmente frágil e ansiosa.

Para atenuar, as empresas mais inteligentes têm investido maciçamente em projetos que possam melhorar a qualidade de vida e as competências de seus profissionais, notadamente de seus líderes.

Pessoas que trabalham em ambientes saudáveis são mais felizes e trazem melhores resultados. Para evidenciar iesto, criaram-se até certificações e premiações.

Fazer parte de uma lista das "Melhores Empresas Para Se Trabalhar" é uma das evidências da preocupação que as empresas têm sobre o assunto. Ambientes de trabalho mais inteligentes são feitos por líderes mais completos. Líderes capazes de perceberem a complexidade de ambientes de guerra.


Nestes ambientes o líder precisa ser fundamentalmente educador e consultor, não importando se as pessoas são da geração X, Y ou boomers. Ele conquista a confiança e fideliza as pessoas pela clareza, firmeza e sinceridade, orientando-as, a se manterem produtivas e saudáveis física e emocionalmente.

Este líder também é um grande agente de relacionamento. Ele aproveita todas as oportunidades possíveis, para orientar e dar feedback, melhorando sistematicamente as competências, a vivência dos valores e a elevação da autoestima.

No entanto, o líder não pode esquecer que numa guerra o soldado tem autorização para matar sem ser punido por isto. Um ambiente assim tão tenso e estressante deixa as pessoas extremamente vulneráveis. É neste ponto que o papel do líder se fará realmente importante.
* Pedro Luiz Pereira
Hunter, especialista em Gestão de Empresas e Desenvolvimento Organizacional, Consultor. 
Presidente da ABRH - Joinville - Associação Brasileira de Recursos Humanos. 
Diretor da QSH e Santo Emprego - Empresas parceiras do Grupo ABRA.
Originalmente publicado no Notícias do Dia.