Ex-Venerável Mestre

Cargo, encargo, ocupação ou distinção?

Nesse assunto, alguns detalhes são importantes e geram confusões por conta da mistura de características entre ritos ou, mesmo, mistura de idiomas.

Como ao prefixo “EX” é atribuído valor depreciativo, carregando o sentido de separação, saída e afastamento, talvez por vaidade ou para não “ofender” os valorosos Irmãos, encontramos o tratamento de PAST-Venerável Mestre.

Isso, porém, configura duas idiossincrasias débeis terríveis. Primeiro porque o “EX” significa alguém que deixou de ser alguma coisa. Todos nós já fomos ex-bebês. Acredito que todos nós já fomos ex-funcionários de alguma empresa, e nada disso é pejorativo. É apenas uma parte da REALIDADE EXISTENCIAL.

O segundo ponto é o aspecto linguístico. “PAST” é um prefixo em inglês que se traduz como passado, com o sentido de anterior, uma tentativa infeliz do neologismo de uma palavra metade em inglês, metade em português. Existe sim e, de maneira correta, o Past-Master no Rito de York, o qual remete às tradições da Maçonaria Operativa. Quando existiam apenas os Aprendizes e os Companheiros, e, entre os Companheiros mais habilidosos, escolhia-se o que dirigiria os trabalhos da obra, recebendo o tratamento respeitoso de MASTER, um Mestre anterior ou de obra no passado era um PAST-MASTER. Sendo assim, no REAA, é simplesmente Ex-Venerável Mestre.

Outro detalhe é a distinção entre Ex-Venerável e Mestre Instalado. Nesse cenário, todo Mestre Instalado é um Ex-Venerável Mestre? Sim e não!

SIM, no sentido de que, ao ser instalado no Trono do Rei Salomão, ele exerceu o cargo de Venerável Mestre. Por outro lado, NÃO, pois somente um Mestre Instalado tem lugar e encargo garantidos nas gestões seguintes.

E é justamente o anterior, o passado, aquele que, após a instalação do seu sucessor, assenta-se ao lado dele, à esquerda. E essa posição tem um simbolismo marcante, visto que cabe ao Ex-Venerável, sentado próximo do coração do Venerável, aconselhar, utilizando sua experiência como apoio. Não pode e não deve interferir. Ele apenas, quando solicitado, colabora.

Todavia, há duas situações em que o Ex-Venerável Mestre é imprescindível. A primeira é que, ao abrir o Livro da Lei, ele proclama e exalta a mola motriz da sessão. O versículo lido é, pois, a Lei que deve conduzir os Irmãos.

A segunda situação descreve que o Ex-Venerável deve ser parceiro do Venerável Mestre. Muitas vezes, uma fala mal colocada ou um comportamento inadequado de um dos presentes à sessão, se forem contestados pelo Venerável Mestre, podem resultar em descontentamento e situações de sabotagem. Contudo, se a chamada à responsabilidade e ao bom senso vier de um Ex, será mais bem aceita, pois ele está ali apenas para colaborar – não tem nada a “ganhar” ou a “perder”. Portanto, UM DOS ENCARGOS DO CARGO É BLINDAR QUEM LHE SUCEDEU.

Quanto a ser um Mestre Instalado, devemos ter clara a compreensão de que não é cargo, encargo, ocupação e, muito menos, grau ritualístico. MESTRE INSTALADO É UMA DISTINÇÃO. Decerto, alguém desenterrará um decreto, no qual se apresenta a condição de Mestre Instalado como grau ou apresentará algum ritual onde se lê claramente “grau de Mestre Instalado”. E isso por quê?

Em razão de equívocos comuns à natureza humana, às vezes por falta de se lembrar das palavras condição (na condição de Mestre Instalado) ou distinção (pela distinção de Mestre Instalado)

Nesse sentido, é fácil refutar a condição de Mestre Instalado configurar grau. No REAA, o Grau 1 corresponde ao Aprendiz, o Grau 2 é o Companheiro, o Grau 3 remete ao Mestre, o Grau 4 pertence ao Mestre Secreto. Logo, o “Grau MI” é Grau 3,5 ou 3+?

É assim também nos outros ritos. Basta observarmos a “escada dos graus ritualísticos”. Já que a intenção destes artigos sempre foi provocar reflexões e pesquisas, deixo aqui uma boa provocação ao intercâmbio em um Quarto-de-Hora-de-Estudo.

Há vários modelos de Livros de Presença, com espaços para o preenchimento de diversas informações. Mas creio que, em todos, há em comum o Nome do Irmão, seu Placet/CIM e seu Grau.

Os Aprendizes colocam 01, ao passo que os Companheiros assinalam 02, e os Mestres, 03. Entretanto, quando aparece um MI, está certo ou errado? Se estiver certo, então, por lógica, quem dirige os trabalhos deve colocar VM e, na mesma linha de pensamento, apareceriam 1Vg e 2Vg.

Alegar usos e costumes ou uma suposta tradição é esquecer o passado, dado que basta uma simples pesquisa que os Irmãos encontrarão balaústres e listas de presença históricos, em que, após o ne varietur, era grafado o numeral correspondente ao grau do signatário.

Do mesmo modo, identificaremos os que alegaram que o simbolismo está separado do filosófico, que em uma Loja Simbólica só trabalhamos até o Grau 3. Logo, o primeiro ponto a esclarecer é que não há separação, e sim segmentação. O REAA é composto por 33 Graus, graus estes galgados pelos Obreiros que também estarão trabalhando em uma Loja Simbólica.

Portanto, um Irmão Sublime Cavaleiro do Real Segredo será Grau 32 em um Consistório, como também o será em um Conselho de Kadosh, bem como em Capítulos Rosa-Cruzes e Lojas de Perfeição. E por que não seria em uma Loja Simbólica?

Não há vaidade em se dizer o que se é. Na verdade, o Obreiro apenas está “respondendo” à pergunta: em qual Grau você se encontra? É importante para a história da Loja, é o registro do comprometimento de seus Obreiros nos estudos e A GRAFIA DO GRAU DO IRMÃO, APÓS SUA ASSINATURA. É MAIS UMA REALIDADE EXISTENCIAL.

Encerro esta série dos Cargos em Loja, reafirmando que, em nenhum dos artigos, há a verdade incontestável. São visões e ideias que foram disponibilizadas, a fim de que possamos contribuir para nossa condição de Maçons Especulativos.

Precisamos estar ávidos para o questionar. Que cada proposição encontre no leitor a dúvida e a semente do crescimento intelectual! Nenhum dos artigos pode suprimir as instruções institucionais nem representa a concepção instrucional de qualquer Potência. É possível que haja pontos em comum. Afinal, nestas décadas de iniciado, fui formado, lendo e sendo instruído por Aprendizes, Companheiros e Mestres de todos os graus, ritos e potências.

Despeço-me, desse modo, com um pedido:

ESQUEÇAMOS GRAUS, TÍTULOS E CARGOS. CONCENTREMO-NOS NAQUILO O QUE, DE FATO, DEVEMOS SER: OBREIROS. NOSSOS NOMES CONSTAM EM UM QUADRO DE OBREIROS DE UMA OFICINA. PORTANTO, SE REALMENTE QUISERMOS HONRAR A SUBLIME ORDEM, COM FERVOR E ZELO, DEDIQUEMOS NOSSOS MELHORES ESFORÇOS A UMA OBRA.

QUAL É SUA OBRA EM PROL DA FELICIDADE DA HUMANIDADE?


Neste 19º ano de compartilhamento dos artigos dominicais, reafirmo o desejo de independente de graus, cargos ou títulos, continuar servindo os Irmãos com propostas para o Quarto-de-Hora-de-Estudo. Uma lauda para leitura em 5 minutos e 10 minutos para as devidas complementações e salutares questionamentos.
O exíguo tempo é um exercício de objetividade e pragmatismo que visa otimizar os trabalhos e cumprir integralmente o ritual.
Convosco na Fé - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
MI   GMAdV   33°REAA   33°RB   9°RM   MMM   Shriner
CT REAL ARCO     CT ARCO REAL     HRAKTP
PRESIDENTE DO MINAS GERAIS SHRINE CLUB
Contato: 0 xx 31 99959-5651 / quirino@roosevelt.org.br
Facebook: (exclusivamente assuntos maçônicos) Sergio Quirino Guimaraes
Os artigos publicados refletem a opinião do autor exclusivamente como um Irmão Maçom
Os conteúdos expostos não reproduzem necessariamente a ideia ou posição de nenhum grupo, cargo ou entidade maçônica.