GLOSSOLALIA MAÇÔNICA

A palavra glossolalia é de origem grega, formada por glõssa (língua) e lalia (falar), referindo-se a sons que se assemelham a palavras, porém sem estrutura linguística. Essa ocorrência tem sido comum em alguns cultos pentecostais, nos quais a manifestação da presença do divino no pregador acontece no “falar em línguas”. Nesse sentido, em consonância com 1 Coríntios, capítulo 14, versículo 2: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.”
Na plataforma do YouTube, os Irmãos encontram exemplos da glossolalia pentecostal. No entanto, há Irmãos que se manifestam em línguas estranhas durante as sessões maçônicas?
Não! Não em sons que se assemelham a palavras. Do mesmo modo, não estamos tratando de manifestações em linguagem incorreta: “pobrema”, “nóis foi”, “subiu para cima”. Essa questão pode ser tratada em outro artigo.
A Glossolalia Maçônica, portanto, é a capacidade de os Irmãos inserirem em suas manifestações – sejam nas Ordens do Dia, no Quarto de Hora de Estudo e na Palavra a Bem da Ordem – vocábulos e expressões associados a outras correntes do pensamento humano e, até mesmo, preceitos, conceitos e dogmas religiosos.
Esclarecemos que não se trata de apresentação de trabalhos ou manifestações específicas sobre um tema filosófico ou religioso. Refere-se à inserção desses conceitos em nossas instruções, sobrepondo-se à essência maçônica.
Alguns Irmãos julgam possuir o “dom de línguas”. Detêm uma “bagagem” adquirida pelo estudo ou pela prática de outras instituições filosóficas/religiosas e trazem suas “verdades” como base para a ligação da Maçonaria com os diversos ramos do conhecimento humano. Assim, deparamo-nos com absurdos perniciosos à Ordem.
Um exemplo? Jesus Cristo de avental. A questão é para que e por quê. Algum Irmão empreendeu tempo e energia para trajar um ícone religioso que viveu mais de um milênio antes da criação da Maçonaria com nossos paramentos.
Não há dúvida de que esse Irmão apaixonado é um cristão fervoroso. Todavia, consegue, ao mesmo tempo, desrespeitar duas instituições. A Igreja Católica tem em vigência a Carta Encíclica “In Eminenti Apostolatus Specula”, e todas as Potências Maçônicas são claras em seus regramentos quanto ao uso de nossos símbolos e alfaias.
HÁ MAÇONS CRISTÃOS, MAS NÃO HÁ FOCO DA CRISTANDADE NA MAÇONARIA.
Outro exemplo que pode gerar desconforto é a vinculação da Cabala com a Maçonaria. Não existe isso. A Cabala é um estudo de origem judaica, em que o estudante procura entender os mistérios do Universo, sua alma e a essência do Criador. A Maçonaria é uma instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressista que serve ao aperfeiçoamento moral e intelectual de seus membros.
HÁ MAÇONS CABALISTAS, MAS NÃO METAS CABALISTAS NA MAÇONARIA.
Para, de fato, preservarmos a universalidade da Maçonaria, devemos respeitar sua essência filosófica. Em todos os Ritos, há procura do conhecimento por meio da virtude e chamamentos à razão. Contudo, nunca afirmaremos que pertencemos ao Platonismo, ou ao Aristotelismo, ou ao Cinismo, nem mesmo às escolas modernas do pensamento Racionalista ou do Empirismo.
A MAÇONARIA PODE SER TRANSMITIDA EM VÁRIOS “IDIOMAS”,
MAS SOMENTE NA “LÍNGUA” DO SIMBOLISMO ORIGINAL.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
MI GMAdV 33°REAA 33°RB 9°RM MMM Shriner
CT REAL ARCO CT ARCO REAL HRAKTP
PRESIDENTE DO MINAS GERAIS SHRINE CLUB
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Os conteúdos expostos não reproduzem necessariamente a ideia ou posição de nenhum grupo, cargo ou entidade maçônica.



