Irmão Terrível

Lenda, Mito, Ocupação ou Obrigação?

Já começo este artigo com a afirmação de que TODA LOJA TEM QUE TER UM IRMÃO TERRÍVEL!

O Irmão Terrível da Maçonaria pode ser compreendido como lenda e mito. Lenda por conta das histórias transmitidas oralmente por Irmãos, que destacavam as ações em tempos imemoriáveis, quando a Ordem era secreta e os juramentos eram cumpridos. Caso não o fossem, o Irmão Terrível era o responsável pela concretização dos sinais penais.

Por outro lado, em caráter positivo, como mito, as narrativas de suas possíveis ações possuem um componente simbólico, pois servem como alerta sobre os perigos se não vencermos os Vícios ou negligenciarmos as Virtudes.

Abro um parêntese para sugerir aos Irmãos que assistam ao filme “Do inferno” (From Hell) de 2001. É um filme de terror e suspense, ambientado na Londres de 1888. Trata-se de uma ficção, mas com detalhes interessantes sobre nosso tema.

O que temos de concreto é que, em alguns Ritos, o Irmão Experto ocupa-se da terribilidade de colocar nas mãos do candidato o cálice do seu destino. O interessante é que, nessa mesma linha, há a prescrição, em determinados Ritos, de que as intimações, advertências ou comunicações de cujo judicial maçônico, sejam entregues ao possível irmão infrator pelas mãos do Irmão Experto, consubstanciado na mítica de Irmão Terrível.

E encontramos nisso uma certa lógica, visto que, conforme mencionamos no artigo 1.040 – Primeiro Experto – “é indicado que o cargo seja ocupado por um Mestre Instalado”, ou seja, um Irmão com experiência. Nas questões em que há conflito e um possível julgamento, as Luzes devem se manter afastadas do contato com as partes envolvidas.

Além disso, com a experiência e a vivência de um Mestre Instalado, a conversa durante a entrega das intimações poderá ser bondosa ou terrível. Neste ponto, explicarei a afirmação de que TODA LOJA TEM QUE TER UM IRMÃO TERRÍVEL!

Acredito que a maioria dos Irmãos compreende o adjetivo terrível como o sentimento que infunde ou causa terror, algo negativamente surpreendente, assustador. Porém, para além dessa concepção, DEVEMOS ENTENDÊ-LO COMO CONTRA O QUAL NÃO SE PODE LUTAR, INVENCÍVEL.

Esse Irmão é a reserva moral e ética da Loja, como um agente obstinado pelo que é justo e perfeito. Tem por característica, primeiro, o silêncio, pois sabe que manifestações constantes e a respeito de tudo são como areias de deserto: há por todo lado, e o valor é inexpressível. Seus trajes e sua conduta são discretos, sem adereços, dado que seu brilho é interno.

Tem por hábito as conversas individuas, pois, em grupo, tendem a ser motivos de insurgências desnecessárias e pueris. Ele sempre terá uma visão pessoal, mas ela nunca será mais importante que a institucional. Sua vivência maçônica o poliu para compreender que TODOS OS PROBLEMAS PASSAM e que ele pode ser chamado a ser o INSTRUMENTO PARA O PASSAMENTO DOS PROBLEMAS. Nós, Shriners, assim entendemos nossa missão com Robur et Furor (Força e Fúria).

No Livro da Lei, em Deuteronômio 10:17-18, temos um referencial:
17. Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno.
18. Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa.

Neste 19º ano de compartilhamento dos artigos dominicais, reafirmo o desejo de independente de graus, cargos ou títulos, continuar servindo os Irmãos com propostas para o Quarto-de-Hora-de-Estudo. Uma lauda para leitura em 5 minutos e 10 minutos para as devidas complementações e salutares questionamentos.
O exíguo tempo é um exercício de objetividade e pragmatismo que visa otimizar os trabalhos e cumprir integralmente o ritual.
Convosco na Fé - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
MI   GMAdV   33°REAA   33°RB   9°RM   MMM   Shriner
CT REAL ARCO     CT ARCO REAL     HRAKTP
PRESIDENTE DO MINAS GERAIS SHRINE CLUB
Contato: 0 xx 31 99959-5651 / quirino@roosevelt.org.br
Facebook: (exclusivamente assuntos maçônicos) Sergio Quirino Guimaraes
Os artigos publicados refletem a opinião do autor exclusivamente como um Irmão Maçom
Os conteúdos expostos não reproduzem necessariamente a ideia ou posição de nenhum grupo, cargo ou entidade maçônica.