Julgamento na Maçonaria

Meu Querido Irmão, na Maçonaria, quem está sendo julgado? Por que está sendo julgado? Quem está julgando?
Quem está sendo julgado? Quem está sendo julgado é o próprio Maçom Iniciado. Todo Maçom que busca a elevação é, antes de tudo, quem se coloca no banco dos réus. Ele não é ali juiz de outros, mas juiz de si mesmo. Esse julgamento é moral, ético e espiritual. Ele envolve a análise das próprias motivações, ações passadas, omissões, vícios emocionais e incoerências entre palavra e atitude (hipocrisia). Também se estende, simbolicamente, à humanidade como um todo, pois ao julgar a si mesmo com verdade, o Maçom participa da reflexão universal sobre o bem e o mal, o justo e o injusto.
Por que está sendo julgado? Porque ninguém pode julgar com justiça os outros se não tiver antes julgado a si mesmo com verdade e coragem. Esse julgamento não é condenatório, mas transformador; busca a purificação da consciência, o equilíbrio entre severidade e misericórdia; serve como iniciação à maturidade moral, para que o Maçom Iniciado, quiçá possa assumir o papel simbólico de juiz e comendador. O julgamento também simboliza a passagem da vaidade para a responsabilidade, da opinião para o discernimento, da retórica para a verdade.
E quem está julgando? O próprio Iniciado é também o julgador de si mesmo. Mas ele o faz na presença simbólica de um "Tribunal de Justiça", composto pelos demais irmãos e pelos princípios representados — Verdade, Justiça, Equidade, Sabedoria e Amor Fraterno. Espiritualmente, ele está sendo observado: pela consciência superior (a centelha divina); pelo Grande Arquiteto do Universo, como símbolo da Justiça Absoluta; e pela tradição iniciática, que impõe ao Maçom o dever de depurar-se constantemente, de auto lapidar-se, de auto aperfeiçoar-se. Portanto, o julgamento é interno, mas conduzido sob o olhar externo dos símbolos e da consciência coletiva da Ordem.
Enfim, o verdadeiro Maçom aprende que o poder de julgar não é um privilégio, mas uma responsabilidade que só pode ser exercida por quem julga a si mesmo com humildade, verdade e propósito de vida.
Julgar com verdade é aceitar em primeiro lugar o peso dos próprios erros, para então ser justo com os outros, o que exige ter sido implacavelmente honesto consigo mesmo.
O desafio está lançado!
Áureo dos Santos
Mestre Maçom (Instalado)
A.·.R.·.L.·.S.·. "Alferes Tiradentes" Nº 20
Oriente de Florianópolis-SC



