LANDMARK: DE DENTRO PARA FORA OU DE FORA PARA DENTRO?


Compartilho com os Irmãos uma de minhas inquietudes e propostas, para que cada um avalie a assertiva do pensamento ou, mesmo, o quanto posso estar equivocado.

Nossa origem advém de homens dedicados às construções em alvenaria, em que “pau é pau, pedra é pedra”. Eram chamados Maçons Operativos ou pedreiros operantes, homens que, com as mãos, deixaram um legado físico. Os limites eram materiais.

Em um momento histórico, que merece atenção à realidade e à fantasia, “surgem” os Maçons Especulativos, em que a designação do Maçom como pedreiro transformou-se em construtor, ao passo que o especulativo analisa algo para conhecer, sem utilização física/material. O pau não é mais estaca, é a acácia incorruptível, e a pedra não é apenas um arenito, mas tem brutalidade ou polidez, ampliando os limites para além da materialidade.

E assim foi por muitos anos, variando apenas a língua e a linguagem, que correspondem ao Rito e à Ritualística. A fim de esclarecer, a língua/rito é um conjunto organizado de elementos, desenvolvido pelos criadores para se comunicar e ser comum a um grupo (escoceses do REAA). Já a linguagem/ritualística é toda forma que o ritualista usa para comunicar o rito. Toda língua é uma forma de linguagem, mas nem toda linguagem utiliza uma língua. O entendimento disso explica as diferenças (presença/ausência) de elementos nos rituais de mesmo rito em Potências distintas.
TODO MAÇOM PRATICA MAÇONARIA?

Salvo melhor juízo e passível de equívoco, creio que a Maçonaria seguia “sua vida” naturalmente, assim como Sócrates, 400 anos antes de Cristo, pregoava, à época, que a juventude era um desastre social. Houve, também, os arautos que postulavam desde sempre as mazelas e o fim da Ordem.

A humanidade seguiu em frente com a “juventude perdida”, e a Maçonaria, com os “Maçons desencontrados”. Até a pandemia, na qual novos conceitos, sobretudo de língua e linguagem, emergiram em nosso meio. Abro um parêntese para uma manifestação provocativa: surgiu um conceito que gerou debates, livros e Nostradamus maçônicos: a Evasão Maçônica.

NÃO HOUVE EVASÃO; HOUVE, SIM, DEPURAÇÃO.
DIMINUIU O NÚMERO DE MEMBROS NAS LOJAS,
AUMENTOU O PERCENTUAL DE OBREIROS NAS OFICINAS.

Nossa “evolução” foi apresentada como Maçonaria Executiva. Creio que a representação alegórica seja de pedreiro para obreiro e de obreiro para engenheiro. Assim como na vida profana, desenvolvemos a falsa perspectiva de que a graduação é garantia de sucesso. Quando você precisa contratar um engenheiro e um pedreiro, você compreende o que quero dizer.

A Maçonaria “sobreviverá” a quaisquer transformações, por não ser, em verdade, uma estrutura física/material. Minha inquietude está, pois, baseada na gourmetização, no academicismo, no comercialismo e nos acéfalos que estão usando os Templos, paramentos, sinais, nossas redes sociais para a venda de coisas e ideias completamente fora dos limites dos propósitos e preceitos da Ordem.

Antes que alguém manifeste que o Grão-Mestre deve coibir tais situações, digo que não. Cabe a cada Maçom “esticar o arame”, seja ele pai, esposo, filho, irmão e Venerável Mestre. Pôr ordem na casa, em âmbito simbólico, é reafirmar as divisas. Somos landmarkianos, portanto:

Sobrinhos devem se concentrar nas Ordens Paramaçônicas; Cunhadas, nas Fraternidades Femininas e Ordens Paramaçônicas; Irmãos, nos graus que lhe competem; e Venerável, na condução dos trabalhos e na preservação de tudo o que envolve a Loja e o Templo.

NÃO É ESTABELECER LIMITES, É PRESERVAR FRONTEIRAS.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club