Lauro de Oliveira Lima: a inteligência do brasileiro.

 

"Na década de 70, Lauro de Oliveira Lima denunciou que o Brasil era um país ainda dominado pelo coronelismo das instituições públicas e sociais. 

Estamos em 2015 e nada mudou. As instituições continuam vendo o povo como incapaz. Seria necessária uma intervenção da ONU para libertar o povo brasileiro do domínio político das instituições. 

A educação continua vigiada, sem verbas, perseguida e sob mordaça. Vou dar como exemplo as últimas tentativas de abordar o assunto do voto livre. O Congresso Nacional decidiu que o povo ainda não tem maturidade para exercer a liberdade de ir votar ou não. Fecharam a questão no voto obrigatório, mantendo a população condicionada ao que eles querem e acham melhor para si mesmos. Esse autoritarismo dos integrantes do Congresso Nacional praticamente chamou o povo brasileiro de burro e ignorante, muito embora o professor e pedagogo Lauro de Oliveira Lima, mesmo perseguido e vigiado pela ditadura do militarismo, tenha mostrado que a inteligência dos analfabetos para entender de futebol era uma demonstração de que todo analfabeto é portador de capacidade para aprender e que a função da educação é descondicionar o que está condicionado. Não estou questionando a vergonha de ser obrigado a votar, mas o juízo que o Congresso Nacional fez da capacidade das pessoas, concluindo que "o povo brasileiro ainda não está preparado para decidir se quer votar ou se não quer votar". 

O que mais nos parece é que o político brasileiro não está preparado para legislar, isto sim, nem evoluiu com os intelectuais da ditadura. 

Numa conversa que tive com o professor Lauro de Oliveira Lima, na década de 70, o pedagogo enfatizou que a pessoa nunca está intelectualmente pronta, terminada, acabada e que o processo de aprendizagem é contínuo. 

A educação é processual. Quando o Congresso Nacional decidiu que o povo não está preparado para exercer o voto livre, simplesmente impediu-o de ter o seu aprendizado, colocou-o sob um cabresto para que não evolua e não aprenda. Arbitrou por conta própria que o povo é incapaz de exercer a cidadania do voto, tendo, portanto, que ser obrigado a fazê-lo sob punições de multa e perda da cidadania. Mas precisamos chamar a atenção para as observações do professor Lauro de Oliveira Lima no sentido de que o analfabeto não só é capaz de decorar e aprender tudo sobre futebol e sobre seus interesses próprios, mas também de exercer o voto livre. 

Na floresta brasileira, mesmo antes do Descobrimento do Brasil, os índios foram capazes de catalogar as plantas medicinais e descobrir a função curativa de cada uma delas. Logo, toda pessoa é portadora de capacidade para aprender. Todavia o Congresso Nacional decidiu que o povo brasileiro não tem o direito de exercer o voto livre porque não está preparado. 

Se o analfabeto não deixa de cuidar da família, vai deixar de ir votar quando tiver que escolher seus candidatos? Óbvio que não! 

E o Lauro de Oliveira Lima demonstrou que a pessoa sempre está pronta e preparada para aprender, o que ela nunca está é acabada e "formada". É muito vulgar a interpretação que as instituições brasileiras fazem da inteligência do povo brasileiro. Todo analfabeto é um Einstein em potencial". 

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***** Este é um texto do livro LAURO DE OLIVEIRA LIMA, do escritor e pesquisador Steve Rud.

Publicado originalmente no Portal de Luís Nassif.

"Jamais permita que os nós tapem a vista da janela, pois será através dela que enxergaremos a oportunidade dos laços!"
Áureo dos Santos