MAÇOM AVARENTO?

Ouvi dizer que existe isso na Maçonaria, mas não acredito. Afinal, a sovinice é o apego ou o medo exacerbado de perder bens materiais ou recursos. Por configurar um dos Sete Pecados Capitais, tramita pelas vias do vício.
Um teólogo da Idade Média, Hugo de São Victor, escreveu o livro Os Cinco Setenários, que é muito interessante. Na obra, o autor argumenta que os vícios enfraquecem a alma, e a avareza “joga o homem no chão”, que, por conta de insatisfações, procura consolo no acúmulo de bens.
O avarento tem dificuldade de abrir mão do que tem, mesmo que receba algo em troca. Nesse sentido, segundo Dante Alighieri, vai parar no quarto círculo do inferno, onde fica empurrando grandes pesos de barras e moedas de ouro pela eternidade.
No entendimento de Santo Tomás, a avareza opõe-se à liberalidade, virtude que modera nossos desejos e afetos em relação às riquezas, ensinando-nos a usar nossos bens de maneira justa e generosa. Para nós, Maçons, as riquezas, simbolizadas nos metais, não têm somente um valor em si, mas no que podem resultar. Isso porque damos mais valor às qualidades morais, servindo os metais para, justa e perfeitamente, socorrerem nossos semelhantes.
Todavia, como podemos reconhecer um Maçom Avarento em nosso meio?
A MAÇONARIA NÃO É FORMADA POR HOMENS JUSTOS E DE BONS COSTUMES.
A MAÇONARIA É UMA ESCOLA QUE ENSINA JUSTIÇA E BONS COSTUMES.
ENTRETANTO, COMO TODA ESCOLA, EXISTEM OS REPROVADOS.
(OU, OS QUE VÃO, SÓ PARA MERENDAR)
Todos nós conhecemos aqueles que se esqueceram de frases brancas em fundo preto a nos provocar a reflexão: não devemos esperar receber qualquer recompensa material da Maçonaria.
E, de modo lamentável, essa “recompensa” tem sinônimo de “remido”! Os critérios variam de Potência para Potência, em que a maioria utiliza o critério de acima de 65 anos de idade e 15 anos como Mestre Maçom para a obtenção de benesses da Potência.
E quais são essas benesses? Às vezes um título, diploma ou medalha, dispensa de frequência (sic) e isenção dos valores devidos à Potência. Quanto à dispensa de frequência, de fato, acho estranho, pois nunca houve uma obrigação imposta por uma autoridade externa para que o Maçom fosse à Loja. Há, sim, um compromisso interno do Obreiro com sua Oficina.
Um filho é obrigado a ir à casa de seus pais? Um religioso é obrigado a ir ao seu culto? Um comensal é obrigado a ir a um bar? Ir à Loja não é uma obrigação, é um prazer. Se não houver tal contentamento, basta pedir o Quitte. Estamos na Maçonaria para sermos felizes.
A questão financeira, por sua vez, pode gerar algum melindre. No entanto, precisamos ser conscientes. As despesas das Lojas devem ser rateadas por todos os Obreiros. Como podemos achar normal um Irmão Remido não querer colaborar para o pagamento das contas de água e luz, por exemplo? Ele pode alegar que já pagou pelos anos passados, mas também consumiu a água e a luz por anos e está consumindo no presente.
O ponto nevrálgico encontra-se nos lanches, nas ágapes e nas festividades. O Irmão não vai comer e beber? Então, por que não pagar? Porém, ele já pagou em muitos outros e também comeu e bebeu em muitos outros. Se a questão for dificuldade financeira, a Loja compreenderá a não colaboração. O que não pode acontecer é a avareza (Lucas 12:15-21).
GRAU MAIS BONITO DA MAÇONARIA É O DE COMPANHEIRO
“COMPANIS”, AQUELE QUE COMPARTILHA O PÃO.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club



