O "BEM MORAL" NA MAÇONARIA


Existe isso na Maçonaria?

Há várias Instruções em nossos rituais que não são explícitas, mas aparecem como o Fio de Ariadne (vide O Labirinto do Minotauro), em que devemos ir “desenrolando” até completarmos a missão. Esse “fio” (instrução/aprendizado) nos conduzirá em segurança de volta ao ponto de partida.

Tais “fios”, muitas vezes, aparecem inseridos sem o menor destaque no meio de nossos textos, portanto a necessidade de atenção e releitura rotineira das Instruções. Essa releitura faz parte da didática maçônica, uma vez que o Maçom de hoje é diferente do Maçom de ontem, o qual ainda não atingiu alguns requisitos para se tornar o Maçom de amanhã.

Nesse cenário, o “fio” do bem moral encontra-se em uma Instrução. Se o Irmão não se lembra de tê-la lido, será preciso tornar-se mais companheiro dos nossos rituais e aprender que há um grande princípio para medirmos e alinharmos nossas ações. A razão é, pois, o compasso da justiça que assegura o direito e a legitimidade dos trabalhos para tornar feliz a humanidade.

Entretanto, ao usar “bem moral”, a intenção do ritualista foi tentar despertar nos Obreiros a inquietação do terno e, por conseguinte, procurarem ir mais longe. Decerto, aqueles que foram despertados chegaram a Lúcio Aneu Sêneca, filósofo do Império Romano, por quem nutro a mais alta estima. Para ele, a felicidade genuína deriva exclusivamente das virtudes: Sabedoria, Coragem, Justiça e Autocontrole.

Peço aos Irmãos atenção à explicação do tema e ao quanto ele é, ou deve ser, estudado com carinho pelos Maçons. Na obra Cartas a Lucílio (Epistulae Morales), Sêneca nos instrui:

“Não quero deixar passar o ensejo de indicar a diferença entre o bem em geral e o bem moral. Ambas as noções têm algo em comum e mesmo indissociável: nada pode ser considerado um bem se não tiver uma parcela de bem moral, e o bem moral é indiscutivelmente um bem. Qual é, então, a distinção entre as duas categorias? O bem moral é o bem absoluto, no qual se realiza totalmente a felicidade, e, graças ao contacto dele, todas as outras coisas se podem tornar formas de bem. Exemplificando: há coisas que em si nem são boas nem são más, tais como o serviço militar, a carreira diplomática, a jurisprudência. Se essas tarefas forem realizadas conformemente ao bem moral, começam a tornar-se bens e passam de indiferentes para a categoria do bem. O bem, em geral, depende de estar ou não associado ao bem moral; o bem moral é em si mesmo o bem; o bem em geral está dependente do bem moral, enquanto o bem moral depende apenas de si. Tudo quanto é simplesmente um bem poderia ter sido um mal; o bem moral, pelo contrário, nunca poderia deixar de ter sido um bem.”

BASTA, ENTÃO, SIMPLESMENTE, SERMOS DO BEM?

A outra importante inquietude (Fio de Ariadne) centra-se em: se há o “bem moral”, há o “mal moral”?

Malvadamente existe por conta do homem! O mal moral é qualquer ação ou omissão intencional de um ser humano que causa dano, sofrimento ou injustiça a outros. A fim de ampliarmos as inquietudes e o processo evolutivo pela especulação, proponho que pensemos nas relações do livre-arbítrio e da responsabilidade perante o bem moral e o mal moral.

O livre-arbítrio são as escolhas livres. Contudo, ele pode tolher a liberdade? A responsabilidade pode absolver ou penalizar!

AS HASTES DO COMPASSO NÃO SE AFASTAM
OU SE APROXIMAM POR CONTA PRÓPRIA.


Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club