O mundo não é maternal

 

 

É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo. 

 

Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco. 

 

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.

 

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba. 

 

O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. 

 

O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa. 

 

O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. 

 

O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. 

 

O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. 

 

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo. 

 

Mãe é de graça!

 

"A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações"
 
Mahatma Gandhi
"Jamais permita que os nós tapem a vista da janela, pois será através dela que enxergaremos a oportunidade dos laços!"

 

Áureo dos Santos