O Pavimento Mosaico e os contrastes da vida
Síntese
O Pavimento Mosaico é um dos símbolos mais significativos da Maçonaria, representando a dualidade presente na criação e na existência humana. Com seus quadrados brancos e pretos, ensina que a vida é composta por contrastes inseparáveis, como luz e trevas, alegria e tristeza, vitórias e derrotas. Mais do que um elemento decorativo do Templo, esse símbolo convida o Maçom à reflexão sobre sua própria caminhada, demonstrando que tanto os momentos favoráveis quanto as dificuldades são instrumentos indispensáveis para o aperfeiçoamento moral, espiritual e intelectual.
Nesta Peça de Arquitetura, busca-se refletir sobre o significado do Pavimento Mosaico à luz da experiências pessoal, evidenciando como os desafios e as conquistas contribuem para a lapidação da Pedra Bruta e para a construção de um homem melhor.
Introdução
Quando recebi a missão de elaborar esta Peça de Arquitetura, procurei inicialmente compreender o Pavimento Mosaico apenas sob sua simbologia ritualística. Estudei sua origem, seus significados e sua representação dentro do Templo. Entretanto, durante esse processo, compreendi que sua maior lição ultrapassa os ensinamentos contidos nos livros e no Ritual.
Percebi que, muito antes de ingressar na Maçonaria, minha própria vida já havia sido construída sobre esse pavimento simbólico. Cada conquista, cada perda, cada momento de alegria e cada período de sofrimento formaram os quadrados claros e escuros que compõem minha trajetória.
Dessa forma, esta peça busca refletir sobre o Pavimento Mosaico não apenas como um símbolo maçônico, mas como uma representação da própria condição humana e do constante processo de aperfeiçoamento que todos somos chamados a realizar.
Desenvolvimento
O Pavimento Mosaico representa a dualidade presente em toda a criação. Seus quadrados alternados, nas cores branca e preta, simbolizam os opostos que coexistem no Universo: luz e escuridão, bem e mal, alegria e tristeza, sucesso e fracasso.
Entretanto, ao refletir aobre esse símbolo, compreendi que ele também representa os conflitos interiores que habitam cada ser humano. Vivemos constantemente entre a coragem e o medo, entre a razão e a emoção, entre a humildade e o orgulho. O verdadeiro trabalho maçônico consiste justamente em aprender a equilibrar esses extremos.
Ao recordar minha própria trajetória, percebo que minha primeira grande escola foi esporte. Ainda muito jovem, deixei minha família para perseguir o sonho de me tornar jogador de futebol profissional. Vieram títulos, conquistas e momentos de grande realização. Mas, também vieram lesões, derrotas, dispensas e inúmeras dificuldades que colocaram à prova minha perseverança.
Hoje compreendo que o Grande Arquiteto do Universo já me ensinava, através da própria vida, aquilo que o Pavimento Mosaico representa: nenhum momento permanece para sempre. As vitórias são passageiras, assim como os sofrimentos. Ambos possuem uma missão educativa e ambos contribuem para nossa evolução.
Talvez o maior contraste da minha caminhada tenha sido a perda de meu pai. Foi um momento que modificou profundamente minha maneira de enxergar a vida. Durante muito tempo, parecia impossível reencontrar o sentido da caminhada.
Entretanto, alguns anos depois, Deus permitiu que minha filha Alice viesse ao mundo. Seu nascimento representou um verdadeiro recomeço, mostrando que, mesmo após os períodos difíceis, sempre existe a possibilidade de uma nova luz surgir no horizonte.
Essa alternância entre dor e esperança traduz perfeitamente o ensinamento do Pavimento Mosaico: nenhuma sombra é definitiva, assim como nenhuma luz permanece eternamente sem desafios.
Outro momento marcante ocorreu quando encerrei minha carreira como atleta profissional. Naquele instante, imaginei estar perdendo parte da minha identidade. Com o passar do tempo, compreendi que, na realidade, o Grande Arquiteto apenas me conduzia para uma nova missão: ensinar, empreender, orientar pessoas e, finalmente, iniciar minha caminhada na Ordem Maçônica.
O Pavimento Mosaico também ensina que as diferenças não existem para separar os homens, mas para formar um conjunto harmônico. Cada quadrado possui uma cor distinta, porém ambos são indispensáveis para a beleza do todo. Assim também acontece com a humanidade. Independentemente de profissão, origem, condição social ou crença, todos somos iguais diante do Grande Arquiteto do Universo e igualmente chamados a trabalhar sobre nossa Pedra Bruta.
Como Aprendiz Maçom reconheço que esse trabalho está apenas começando. Minha Pedra Bruta ainda possui inúmeras imperfeições. Cabe-me desenvolver diariamente virtudes como a humildade, a prudência, a paciência, o silêncio e a tolerância.
Compreendo que cada dificuldade representa um golpe do malho; cada reflexão corresponde ao uso consciente do cinzel; cada experiência vivida remove uma pequena imperfeição da pedra que sou.
Assim, o Pavimento Mosaico deixou de representar apenas um elemento do Templo e passou a simbolizar um compromisso permanente com meu próprio aperfeiçoamento moral.
Conclusão
Ao concluir esta reflexão, compreendo que caminhar sobre o Pavimento Mosaico significa aceitar que a vida é formada por contrastes necessários ao crescimento humano.
Os quadrados brancos recordam os momentos de alegria, gratidão e realização. Os quadrados pretos representam os desafios, as perdas e os sofrimentos que fortalecem nosso caráter. Ambos possuem igual importância na construção do homem virtuoso.
Mais do que um símbolo presente no Templo, o Pavimento Mosaico tornou-se, para mim, uma filosofia de vida. Nas vitórias, desejo conservar a humildade. Nas dificuldades, fortalecer a perseverança. Diante das diferenças, cultivar a fraternidade. E diante das minhas próprias limitações, manter viva a disposição de continuar lapidando minha Pedra Bruta.
Que o Grande Arquiteto do Universo me conceda sabedoria para reconhecer, em cada momento de luz, um motivo de gratidão; em cada momento de escuridão, uma oportunidade de aprendizado; e em ambos, a possibilidade constante de me tornar um homem melhor.
Assim seja.
Michel Vendelino Schmoller
Referências Bibliográficas
-Bíblia Sagrada
-Grande Loja de Santa Catarina - GLSC
Instrução do grau de Aprendiz Maçom e seus complementos
-Schmoller, Michel. Experiências pessoais e trajetória de vida como atleta profissional, empreendedor e Aprendiz Maçom. Relato autobiográfico



