O PORQUÊ DO TERMO "SESSÃO ECONÔMICA" NA MAÇONARIA?

São comuns as dúvidas quanto ao emprego de algumas palavras nos Rituais. Assim, há aqueles que as substituem por outras usadas no cotidiano. Salvo melhor juízo, penso que isso configura um retrocesso, visto que trabalha a questão no sentido de “nivelar por baixo”.

De fato, são utilizadas nos Rituais algumas palavras incomuns em nosso tempo, mas que servem para, no mínimo, acrescentar/melhorar nosso vocabulário, além de contribuírem dramaturgicamente para o enredo. Nesse sentido, canícula e ondas de calor designam o mesmo fenômeno, porém qual transmite a mensagem subliminar de maior intensidade? Canícula do meio-dia ou ondas de calor no meio-dia? Onde lhe parece ser mais distante: o setentrião ou o norte?

Logo, antes de considerarmos adequar os Rituais, pensemos o quão perigoso pode ser ficarmos à beira dos “nóis foi”, “subir para cima”, além dos “manos” e estrangeirismos.

Retornando ao tema, para a maioria de nós, a palavra “econômica” está vinculada à ciência da economia financeira. Contudo, o sentido implícito e maçônico refere-se à administração moderada de recursos, evitando gastos desnecessários.

Quais são, porém, os “recursos” que a administração de uma Loja deve saber moderar? Os principais são presença, tolerância e energia dos Obreiros presentes!

E quais seriam, por outro lado, os “gastos desnecessários” a serem evitados? Tempo dos Obreiros presentes!

O ritualista, ao nomear uma reunião maçônica como “Sessão Econômica”, traz a instrução:

OS TRABALHOS COTIDIANOS DE IRMÃOS EM LOJA DEVEM SE
DESENVOLVER DE FORMA OBJETIVA, MODERADA E PRÁTICA.

E onde comprovamos isso? Na clareza da formatação da ritualística, em que há uma segmentação objetiva (leitura das comunicações), moderada (Quarto de Hora de Estudo) e prática (palavra a Bem da Ordem). Tudo o mais pode ser feito em reuniões administrativas, antes da abertura dos trabalhos e nas ágapes após a sessão.

ASSIM COMO A BASE DA ECONOMIA PROFANA É GARANTIR UM RECURSO FUTURO, AS LUZES DA LOJA DEVEM SABER “APLICAR” O TEMPO E “POUPAR” SEUS OBREIROS. ISSO GARANTE SESSÕES RENTÁVEIS (CUMPRIMENTO DA MISSÃO), DIVIDENDOS (INICIAÇÕES) E “COFRE CHEIO” (PRESENÇA MACIÇA).

Todavia, se é para provocar, existe também outra forma de grafar as sessões não magnas, nem administrativas e não festivas. Em vez de “econômica”, usa-se “ordinária”. Nesse caso, as reações são efusivas, já que o “ordinário” é mais utilizado como adjetivo pejorativo, no sentido de qualidade inferior ou de conduta e aspecto grosseiro.

A fim de entendermos a ordinariedade de uma sessão maçônica, recordemos que o oposto a ordinário é extraordinário – algo raro, excepcional, inusitado, que ocorre em datas especiais, com rituais especiais. Contudo, como se trata de sessão com calendário preestabelecido conforme o Regimento Interno, sendo uma reunião regular e planejada, não há nada de pejorativo em ser lavrado um balaústre de Sessão Ordinária ou Econômica.

NO ENTANTO, SE FORMOS USAR O SENTIDO PEJORATIVO, A REUNIÃO FOI ORDINÁRIA, POIS OS REUNIDOS FORAM ORDINÁRIOS. DA MESMA FORMA, APLICA-SE O ADJETIVO EXTRAORDINÁRIO.         

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club