O que é a vida? Para que ela serve? Qual o seu fim?


Ora, o tema começou a ser estudado ou pelo menos filosofado, milhares de anos atrás, já na Grécia e Roma antiga, e pasmem, ainda não se tem nada conclusivo sobre o assunto. Quem sou eu para divagar sobre o assunto? Tentarei para não constrangê-los! 

Vida, numa concepção conceitual pode suscitar várias interpretações e também muita dúvida sobre a validade e profundidade de conceitos. E, essa dificuldade é fácil de entender. Um psicólogo certamente traria o debate para a análise da mente e da psique humana, o sociólogo, traria a visão da “vida individual”, porém, no contexto coletivo ou social. Para o teólogo, a vida certamente teria um enfoque espiritual, de fé, de continuidade pela ressureição. As pessoas comuns, provavelmente falariam sobre prazeres e/ou mazelas da existência. 

E o que diria o biólogo que consegue identificar estruturas vivas que nem imaginamos que existam, o médico que convive e luta diariamente pela sobrevivência de pessoas, o astronauta que percebe esse nosso planeta apenas como um grão de areia em meio a uma visão um pouco mais holística do universo? 

Sem dúvida, são muitos conceitos, muitas interpretações, muitas verdades e principalmente, incertezas.
Exercitar a maçonaria, por meio de uma Peça de Arquitetura, é também filosofar, nesse caso, o que diria um filósofo sobre o que é vida, para que serve e qual o seu fim? 

O sentido da vida constitui um questionamento filosófico acerca do propósito e significado da existência humana.
O sentido da vida na filosofia antiga consiste principalmente na aquisição da felicidade, para tanto os gregos cunharam a denominação eudaimonia. Esta era comumente considerada a característica mais elevada e mais desejada. Neste contexto, as diferenças entre as escolas filosóficas resultam das diferentes concepções sobre a felicidade e como cada qual acreditava que ela pudesse ser atingida. 

Após Platão, a alma imortal humana consistia de três partes: a razão, a coragem e os instintos. Apenas se essas três partes estivessem em equilíbrio e não se contradissessem mutuamente, o ser humano poderia ser feliz.
Aristóteles, não julgava a felicidade como uma condição estática, mas sim uma constante ativa da alma. A felicidade humana perfeita só poderia ser encontrada na contemplação da vida. Zenão de Cício (335-264 a.C.) fundou uma doutrina denominada estoicismo, aceita e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética em que a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade. 

As religiões (Judaísmo, Hinduísmo, Budismo, Islamismo, só para citar alguns) naturalmente, sempre tiveram grande participação e influência, especialmente num tema tão complexo, cujo conceito ainda hoje suscita tantas diferentes interpretações, sempre nos lembram da importância da fé e crença de cada um. 

A Idade Média foi o tempo no qual o Cristianismo dominou a Europa, detendo o monopólio de todo o sentido oferecido àquele tempo. A ênfase do sentido transferiu-se do pessoal ao coletivo, na sucessão pessoal de Cristo e a união mística com Deus. Assim, com a declaração da vida eterna, o significado da vida na visão da Idade Média estava na máxima e eterna comunhão com Deus. 

Não são poucos os filósofos, pensadores, religiosos que, ao longo da História da Humanidade, vêm se debruçando em torno de uma indagação que, não raro, também toma a mente de cada um de nós: Afinal, qual o significado da vida? Por que estamos nesta vida? 

Convido-vos a olhar um pouco ao nosso redor. Para alguns, a vida se faz com tranquilidade, dias previsíveis e de paz. Para a maioria, os dias são batalhas, esforços, dores e dificuldades. Há aqueles que estão na vida à passeio, na busca de prazeres e emoções, sem compromissos de ordem alguma. Há outros para os quais a vida se faz sinônimo de trabalho, em anseios por melhora financeira, por amealhar bens, garantindo sustento e segurança monetária para o futuro incerto. Outros desdobram-se na preocupação com o próximo, nos valores da solidariedade e da cidadania. 

Retorna a pergunta: Qual a finalidade e o sentido da vida? 

Cada um dos IIr.: terá uma resposta, de acordo com seus valores, crenças e convicções. Penso, e aí de forma já conclusiva, que se trata de mais uma daquelas situações em que a minha verdade, não necessariamente será a verdade de vós, ou pelo menos de parte dos que aqui estão. Tendo a buscar o meu entendimento sobre a vida como mais um capítulo de um longo livro, que iniciou sua escrita desde há muito. Não posso provar a minha teoria e imagino que nenhum dos IIr.: possa me apresentar provas das suas verdades, mas se aceitarmos que a passagem momentânea nessa vida, é parte de um processo maior, que consiste em aprendizado e aperfeiçoamento, é mais uma oportunidade que o G.:A.:D.:U.: nos oferece para que nosso progresso se faça. 

Acho importante dar um sentido às coisas, me sinto mais útil, levanto da cama com mais energia para celebrar mais um dia de vida, com todas as suas virtudes, alegrias, mazelas e infortúnios, mas sempre amadurecendo e me aperfeiçoando. 

Com um pouco mais de esforço, também é possível conjecturar sobre as pessoas que conheci, as que apenas passaram por minha vida, as que marcaram de alguma forma, as que estão ao meu lado até hoje. 

Por que as conheci, qual a contribuição que tiveram no meu aperfeiçoamento, de que forma contribuí com elas os motivos que me trouxeram até aqui, convivendo entre IIr.: Creio que é desta forma, que entendo a vida e o sentido que ela me traz, um aprendizado das coisas que o G.:A.:D.:U.: nos apresenta para a melhoria e o progresso individual. 

Talvez a “melhor verdade” esteja com Heráclito, para o qual a existência nada mais é do que uma coleção infinita de seres e circunstâncias únicos, irrepetíveis, por isso mesmo tão ricos, tão dignos de amor e devoção. Perfeitos porque imperfeitos. 

Certa feita, e agora concluindo, tive o privilégio de conhecer uma pessoa que marcou de forma muito positiva a minha vida profissional. Dela, recebi e guardo até hoje um cartão com os dizeres “Deus está assistindo, portanto, apresente a ele um grande show”. Para mim, sem dúvida, um bom jeito de viver a vida! 

Bibliografia: 

i. GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA. 3a. Instrução Companheiro Maçom. Florianópolis: Grande Loja de Santa Catarina, 2015.

ii. GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA. Complemento I à 3a Instrução, Companheiro - Maçom. Os números e suas propriedades - Florianópolis: Grande Loja de Santa Catarina, 2001.

iii. GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA. Complemento II à 3a Instrução, Companheiro -Maçom – Achegas Filosóficas. Florianópolis: Grande Loja de Santa Catarina, 2001.

iv. GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA. Introdução à Filosofia Iniciática da Maçonaria. Introdução Geral dos Mistérios Antigos (II). A Índia e o Egito – Características gerais religiosas Mitologia. Florianópolis: Grande Loja de Santa Catarina, 2010.

 

v. Dicionário da língua portuguesa - https://www.dicionarioinformal.com.br

Ingo Louis Hermann

Membro efetivo da Loja "Alferes Tiradentes".

Florianópolis - Santa Catarina