O Sopro que desperta a vida

À primeira vista, ambos os corpos parecem idênticos: as mesmas formas, a mesma matéria, os mesmos órgãos. E, no entanto, em um instante, algo se apaga. Um segundo antes, o ser respirava, se movia, pensava; um segundo depois, tudo cessa. Não há ferida visível, não há razão aparente. Apenas o silêncio que segue a vida.

O que aconteceu?
Desde tempos imemoriais, os místicos e sábios da humanidade têm falado de uma essência invisível que anima a matéria: a alma, o espírito, o sopro vital. Talvez uma das expressões mais antigas dessa ideia seja a que a Torá nos oferece, quando afirma:
“Então Jeová Deus formou o homem do pó da terra, e soprou em seu nariz fôlego de vida, e o homem foi um ser vivo.”
(Gênesis 2:7)

Esse “sopro” divino, aquele hálito que transforma o pó em vida, tem sido chamado de muitas maneiras ao longo dos séculos. Um desses nomes é Força Vital: uma energia sutil e onipresente que anima o corpo, regula suas funções e mantém a harmonia entre suas partes.

É ela que, sem que nossa vontade intervenha, faz palpitar o coração, dilatar os pulmões, fluir o sangue e sustentar o milagre do movimento. Em uma palavra: é a vida em ação.

Quando essa força é abundante e distribuída de forma equilibrada por todos os cantos do corpo, o ser goza de saúde e estabilidade. Mas quando falta ou se concentra em excesso em uma área, surgem desequilíbrios, fadiga ou doenças.

A energia que tudo impregna desde a perspectiva esotérica, a Força Vital constitui a essência íntima de toda vida orgânica.
É para as funções corporais o que o pensamento é para o espírito: uma forma concreta de energia universal. Esta força está presente em tudo o que existe, e o ser humano a recebe de múltiplas fontes: do ar que respira, dos alimentos que nutrem, da luz solar que vive, do contato com a natureza que o rodeia.

Assim como a matéria é uma só sob diferentes aparências, a Força Vital também é uma única energia que se manifesta de diversas formas. Muda de rosto, mas não de essência. É a mesma força que gira os mundos, que ordena as marés, que faz florescer os campos e que impulsiona a evolução dos seres. É, em suma, a energia do Universo manifestando-se sob infinitas modulações.

Essa energia cósmica — chame de magnetismo, prana, chi ou sopro divino — é a base de toda existência. Hipócrates, o grande médico da Grécia antiga, já intuiu sua natureza quando escreveu:“Os corpos dos homens e de todos os animais se alimentam de três espécies de coisas: de alimentos, de bebidas e de força vital.
A força vital é chamada de sopro vital dentro e fora dos corpos. É a mais poderosa força de coesão e de ação de tudo o que existe.

Ela é invisível ao olho humano, mas o pensamento pode concebê-la. Não falta em lugar nenhum; preenche o espaço entre a Terra e o Céu, encontra-se no mar, no ar, nos animais, nos homens... e é ela quem estabelece as defesas naturais contra as doenças.”

Uma sabedoria antiga
O ser humano é o receptáculo de múltiplas energias, algumas ainda desconhecidas, outras redescobertas pouco a pouco depois de séculos de esquecimento. Nos antigos santuários onde se praticavam os mistérios, a Força Vital era objeto de estudo e veneração.

Ela era conhecida por vários nomes: Akasha entre os hindus, magnetismo animal na tradição ocidental, agente magnético para Durville, eletricidade animal para Reichenbach, força astral para os ocultistas ou força nervosa para a medicina moderna. Cada um a descreveu à sua maneira, mas todos falaram do mesmo princípio: uma energia universal que une, anima e sustenta a vida.

São, então, todas essas manifestações expressões diferentes de uma mesma força? Ou são aspectos diferentes de uma energia primordial ainda mais vasta?

O conhecimento atual mal toca sua superfície. Quanto mais você avança em seu estudo, mais profundo se torna o mistério.

A força que nos envolve
A Força Vital está em toda parte: nos rodeia, nos atravessa, nos dá forma. Emanando do Sol, fluindo no ar que respiramos, penetrando cada célula e cada pensamento.

Encoraja os homens, os animais, as plantas e até os elementos mais humildes. Sem ela, não há movimento nem consciência; sem a sua presença, a matéria volta a ser o que era: pó inerte.

O ser humano pode reproduzir a vida — gerá-la, multiplicá-la — mas não pode criá-la. A ciência pode clonar organismos ou manipular células, mas sempre parte da vida já existente. Criar vida do nada seria equivalente a ser igualado a Deus, e isso é algo que a Lei do Universo não permite.

Como energia cósmica, a Força Vital não é criada nem destruída: apenas se transforma e se manifesta sob decretos universais que sempre favorecem a evolução. Portanto, o homem pode cooperar com a vida, mas não originá-la.

A ilusão do remédio
Hoje nos preocupamos com a saúde, mas raramente com sua origem. Procuramos em pílulas e fórmulas o que realmente reside na harmonia dessa energia interior.

O remédio químico pode estimular temporariamente o corpo, despertar forças adormecidas, aliviar sintomas... mas seu poder termina aí. Não pode infundir vida onde a Força Vital minguou ou, nem criar energia onde não existe mais.

O bem-estar duradouro não surge de uma cápsula, mas do reencontro com aquela fonte invisível que respira em nós.
Por isso, os antigos alquimistas, em sua busca incansável pelo elixir da vida, não o encontraram em suas experiências, mas alguns entenderam que a verdadeira alquimia é interior: consiste em refinar a energia vital por meio da consciência, do pensamento elevado, da respiração consciente e do contato com o sagrado da existência.

A vida como mistério divino
O problema da vida, em sua raiz mais profunda, é um mistério que escapa a toda definição científica. Sabemos que a matéria pode ser organizada, mas não que possa despertar sozinha. Existe algo — uma presença, um sopro, uma vibração divina — que a anima e a transforma em um ser vivo.

Esse sopro é o sopro de Deus. Quando Ele o infunde, a matéria se eleva e se torna vida; quando Ele o retira, tudo volta ao pó do qual surgiu. Enquanto esse sopro permanece em você, viva com propósito, aja com bondade e honre a centelha divina que o anima. Porque a vida, mais do que um fenômeno biológico, é uma oportunidade sagrada: a de participar conscientemente na Obra do Criador.

Agora só resta que, como sempre lhes digo: Pesquisem e aprendam, não dêem nada por definitivo, é a única maneira de alcançar a Luz.

Mário Lopez

Fontehttps://iluminando.org/