Quais livros sobre Maçonaria você me indica?

Frequentemente me perguntam, nas Lojas e nas redes sociais:

Quais livros sobre Maçonaria você me indica?”

Agradeço aos bondosos Irmãos que me confiam essa pergunta, ao acreditarem na sinceridade de minhas intenções, abonando assim os modestos esforços que tenho realizado nesses últimos dezoito anos.

Indicar uma lista de livros é muito perigoso, pois sempre que nomeamos uns, deixamos outros de fora... Na literatura maçônica – estrangeira e brasileira – há muito boas obras, e se eu fosse mencionar cada uma, ficaria um mês inteiro na frente do computador redigindo este texto.

Melhor do que indicar seria desindicar uma volumosa produção de textos e palpites errados impressos ou disseminados pela internet nos últimos cinco anos. Mas isso seria indelicado de minha parte. Preocupo-me, em primeiro lugar, com os Aprendizes e Companheirosque, instados pelas diretorias das Lojas, dão tudo de si na elaboração de “peças de arquitetura” para o período de instrução (ou quarto-de-hora-de-estudos) ou visando “aumento de salário”. Na maioria das vezes esses Aprendizes e Companheiros buscam “informação” na internet e acabam copiando erros. Cuidado, pois “nem tudo que reluz é ouro; nem tudo que brilha é prata”, já dizia minha sábia vovó.

Preocupo-me, em primeiro lugar, repito, com Aprendizes e Companheiros, pois os Mestres “já sabem tudo". Resta saber se, ao exigirem dos neófitos essas “peças de arquitetura”, tais e quais Mestres serão capazes de elaborar um trabalho sobre o que sabem sobre Maçonaria.

Minha opinião é que essas “peças de arquitetura” devem se limitar ao conteúdo do Grau, constando de uma apreciação crítica (atividade de examinar e avaliar minuciosamente algo), pelo prisma da experiência de vida pessoal e nas estâncias do respectivo Grau. De qualquer forma, uma arguição oral sobre o conteúdo do Grau traria mais benefícios do que uma redação “feita em casa” ou no escritório, sabe Deus por quais mãos! Sobre essa questão, pretendo voltar mais tarde, num outro artigo. Por enquanto, vamos aos livros sobre Maçonaria que habitualmente indico COMO PORTA DE ENTRADA PARA A COMPREENSÃO DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO.

Cito, primeiramente, “os dois Alberts” – o Albert Pike e o Albert Mackey – apesar de saber das centenas de narizes torcidos daqueles que hoje em dia autodenominam-se “doutores em maçonaria”. Esses gênios da lâmpada são os mesmos que pregam uma maçonaria sem landmarks, sem raízes na tradição e, se possível, sem formalidades, sem aventais, sem templos e “sem segredos”. Bastam-lhes as glórias pessoais e um séquito de pessoas ingênuas.

Teríamos, por outro lado, muito menos problemas com os Rituais se modestamente nos curvássemos aos textos elaborados por Albert Pike; e menos questões jurídicas se estudássemos Albert Mackey.

Entre os brasileiros, destaco os Irmãos Antenor Rodrigues Barbosa Júnior e João Guilherme Ribeiro. Nas páginas de “O Livro do Mestre”, Antenor se mantém fidelíssimo ao estilo da pesquisa superior acadêmica (ele é engenheiro, Mestre e Doutor pela Universidade de São Paulo, professor titular da Escola de Minas, coordenador de Mestrado e atual Secretário de Meio Ambiente de Ouro Preto); Antenor traça uma visão aprofundada do mito e alegorias do rito, situando essa obra como a mais importante no gênero em toda literatura maçônica brasileira. “O Livro do Mestre” merece ser traduzido para outras línguas e então ser exaltado no lugar de honra na literatura maçônica mundial.

Os volumes de “Fios da Meada” de João Guilherme percorrem esse mesmo nível de excelência. Escritor, artista plástico, editor e Deputado Internacional para o Rito York, João Guilherme é um dos maiores intelectuais brasileiros sobre Maçonaria nos dois lados da escada: Rito Escocês e Rito York.

Vou começar por esses. No próximo artigo ampliarei nossa viagem pelos labirintos dessa biblioteca.

E recomendo leitura e estudo!!! A situação atual da nossa maçonaria requer cuidados que passam pelo estudo e pela leitura; passa também pelo debate nas Lojas e pelo questionamento e críticas construtivas constantes junto aos nossos dirigentes. É hora de afastarmos dos olhos os tênues véus negros que estão lançando sobre nossas cabeças. Enganam-se os que apregoam “estar tudo bem em ambas as colunas”; não!, não está. Somos uma das mais importantes maçonarias em todo o mundo – pelo menos em número; precisamos somar QUALIDADE a essa quantidade.

Abraço fiel, sincero e fraternalmente a todos,

José Maurício Guimarães

 

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