QUAL É A MAIOR FANTASIA NA MAÇONARIA?

Após escrever o tema, dei-me conta de que serei pretencioso em apresentar uma resposta a esse questionamento. Isso porque quem poderá, de fato, dizer que sabe tudo sobre uma Ordem como a nossa? Nela, por exemplo, o “legítimo” REAA é praticado por inúmeras e legítimas Lojas, com inúmeras e legítimas diferenças, todas elas legitimadas por sérios legitimantes.
No entanto, temos aquele Irmão que, em sarcasmo, “explica” que o REAA foi assim denominado por ser um Rito Escocês Antigo e que Aceita tudo. É melhor rir do que chorar!
Logo, diante de algumas situações difundidas, necessário se faz não misturarmos alegoria, simbolismo e fantasia.
Em âmbito conceitual, ALEGORIA consiste em uma figura de linguagem e um recurso artístico que representa um pensamento, uma ideia abstrata ou um sentimento por meio de imagens, personagens ou narrativas figuradas, com certa lógica natural. Porém, expressa algo além do sentido literal, a exemplo da tradicional imagem do homem se autoesculpindo.
SIMBOLISMO, por sua vez, é a representação de ideias ou conceitos por meio de símbolos, sugerindo significados ocultos em vez de revelá-los de maneira direta. Exemplo é o uso do triponto após a assinatura e sua mensagem para nós, Maçons.
Já a FANTASIA é a faculdade criadora com a qual o homem inventa ou evoca imagens por meio da imaginação. Salvo melhor juízo, a encontramos em manifestações e, até mesmo, escrita em instruções. Basta um pouco de observação e discernimento para identificarmos que fantasiaram de forma ilegítima uma figura de linguagem religiosa, imputando nela um significado oculto maçônico.
Vamos à origem, e que cada um, após reflexões e intercâmbios, construa sua compreensão, atribuindo seu “Aceito” ou “Não Aceito”. Livro de Gênesis, capítulo 28, versículos 10 a 12:
“10 Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi-se a Harã. 11 E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por sua cabeceira, e deitou-se naquele lugar. 12 E sonhou: e eis era posta na terra uma escada cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela.”
O primeiro ponto é que Jacó sonhou, não viu. De modo respeitoso, para além da crença religiosa, sonhos são classificados como fantasia por não terem existência real. Ademais, o descrito em seu sonho foi uma escada da terra aos céus, pela qual anjos subiam e desciam. Não existe a descrição do número de degraus. Não há, portanto, como saber se eram três, cinco, sete ou mais e muito menos 33 degraus.
Não havendo menção a que Jacó tenha posto seus pés nessa escada, por que a Maçonaria daria condições a algum outro filho de Deus de colocar os pés no primeiro degrau dessa escada?
Com certeza, alguns Irmãos manifestaram-se, invocando o simbolismo ou a alegoria de uma escada como instrumento de ascensão. Perdoem-me, mas, como praticante do REAA, não encontrei legítimas instruções no simbolismo maçônico sobre “usar” a “Escada de Jacó” para evolução ética e moral.
Sendo assim, mais uma vez, manifesto-me de maneira respeitosa, ultrapassando a crença religiosa. Contudo, tenho ressalvas quanto a Jacó. Ambicioso pelo direito de progenitura, sem ética, aproveitou-se da fome e do cansaço de Esaú, seu irmão mais velho, e ofereceu-lhe um prato de comida em troca de tal direito. Do mesmo modo, aproveitando-se da idade avançada e da cegueira do pai, sem a menor moral, passou-se pelo Irmão e obteve a benção dele no leito de morte (Gênesis 27).
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club



