QUAL É O DESTINO DO MAÇOM?

Existem conceitos enraizados que consideramos verdades absolutas e aplicáveis em tudo e em toda vida. Por exemplo: “tudo tem princípio, meio e fim”, “haverá sempre uma partida e uma chegada”, e outras mais que envolvem o “tempo” e o “espaço”.

Como Maçons, não nos apegamos ao passado, uma vez que, sendo glorioso, torna-se combustível da vaidade e da intolerância. É quando surge a frase: “No MEU tempo...”. Em contrapartida, constituindo algo a se esquecer e não o conseguindo, é a ancora que trava o navio da vida.

Quanto ao espaço, as instruções referentes às dimensões do Templo devem ultrapassar o macro, que é o Templo Material/Externo, e servir de medidas ao micro, que consiste no Templo Espiritual/Interno. Vide o início da quinta instrução do Grau de Aprendiz.

Portanto, a essência da instrução é que, não havendo limites espaciais, a Maçonaria é universal. Mas atenção: “universal”, nesse sentido, ultrapassa o conceito de Universo como estruturas sensoriais.

A UNIVERSALIDADE DA MAÇONARIA ENCONTRA-SE
NOS VALORES ÉTICOS E MORAIS APREGOADOS.
POR ISSO, A DIVERSIDADE DE RITOS E RITUAIS NÃO MUDA SUA ESSÊNCIA.

Como seria, então, a universalidade do/no Maçom?

A UNIVERSALIDADE DO MAÇOM RESIDE
NOS VALORES ÉTICOS E MORAIS PRATICADOS. LOGO, A DIVERSIDADE
DE AMBIENTES E SITUAÇÕES NÃO MUDA SUA CONDUTA.

Sendo assim, tempo e espaço são entendidos, em âmbito profano, como noções autônomas para a compreensão dos sentidos. Tudo o que vejo ocupa um espaço; tudo o que ouço teve um tempo determinado. Porém, no contexto maçônico, essas duas noções tornam-se entidades que trabalham não por heteronomia – algo que age sob regras ou controle externo –, mas por “leis” próprias.

Já observaram “nossa” régua? Ela é organizada em polegadas (espaço), contudo a utilizamos para dividir as atividades (tempo). Régua de 24 polegadas (60,96 centímetros) = oito horas de trabalho, oito de descanso e oito de estudo (um dia de vida).

Onde mais se consubstanciam o espaço e o tempo em nossos simbolismos e alegorias?

Nas marchas dos Graus! Reflitam bem! E é um trabalho bonito e complexo relacionarmos o conteúdo do grau com o número, os movimentos e as direções de passos e pés.

A marcha não é ensinada para sair ou chegar a algum lugar, mas para mostrar como são os passos, onde (espaço) e quando (tempo) devemos estar ou deixar de estar, porém sempre à Ordem.

A resposta para a pergunta “qual é o destino do Maçom” é: destino nenhum. Isso porque destino representa alcance, complementação, finalização, e o 20º Landmark é a certeza de que não há tempo nem espaço. Maçonaria não é um caminho, é apenas um caminhar.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club