REMÉDIO PARA A TENDÊNCIA DA INÉRCIA

A primeira Lei de Newton, conhecida como Princípio da Inércia, prevê que um corpo em repouso tende a continuar em repouso e que um corpo em movimento retilíneo uniforme (com velocidade constante) tende a continuar em movimento, a menos que uma força externa atue sobre ele.
Temos tendência a compreender um corpo como um objeto. Porém, trabalharemos esse objeto como um corpo humano. Daqueles humanos que vestem ternos pretos e se dizem de “Pé e a Ordem”, mas, na verdade, estão inertes e em baixíssimo movimento.
A inércia é também uma tendência da natureza humana, pois há sempre resistência a alterações. Sob uma ótica medíocre, acreditamos que a Paz e a Felicidade estão no conforto, e quão difícil é sair da “zona de conforto”. A inércia tem sido uma energia negativa e invisível na vida do Maçom. Apesar de relatarmos que somos frequentes às Lojas, pouco, de fato, produzimos.
MOVIMENTO DO MAÇOM NÃO É GARANTIA DE AÇÃO MAÇÔNICA.
Vejamos um exemplo prático. Em todas as reuniões do REAA, temos o movimento do Hospitaleiro. Contudo, isso resulta, realmente, em uma ação de filantropia? Em algumas lojas, sim, mas sejamos sinceros: na maioria, não. E se a justificativa for pelo pouco valor arrecadado, comprovamos a presença da inércia, que, neste caso, recebe os nomes de apatia, indiferença ou ausência de reação.
A ENERGIA CONTRÁRIA À INÉRCIA SÃO A FORÇA E O VIGOR.
POR ISSO, SÃO INVOCADOS PARA A ABERTURA DOS TRABALHOS.
Muitas vezes, a inércia instala-se nas Lojas, por conta de processos obsoletos (questões administrativas tratadas em sessões ritualísticas), lentidão nos andamentos processuais (sindicantes inoperantes, comissões que não apresentam soluções), práticas ultrapassadas (entrada individualizada dos membros, citando Cargos e Graus) e reuniões que visam apenas cumprir a leitura do ritual. Nesse esteio, encontramos mais um sinônimo para a inércia, qual seja a estagnação.
Logo, qual seria o remédio para a tentação da inércia? A Alavanca!
Acredito que todos nós já tivemos a oportunidade de usar uma alavanca no mundo profano, e o que todas elas têm em comum são sua rigidez e seu peso. A maioria tem uma extremidade em ponta a outro lado em forma de cunha, e indiferentemente da forma como a usamos, precisamos de muita... FORÇA E VIGOR.
A Alavanca é emblema de poder. Ao usá-la para deslocar grandes pedras, percebemos que há uma Força Divina que, com inteligência, mostra-nos que sempre há como vencer grandes obstáculos. Se a utilizamos para a procura do VITRIOL, as pedras do arbitrário e tirânico são dilaceradas pela ação pontiaguda da força.
Se terras argilosas da ignorância e da superstição tentarem travar o aprofundamento, o vigor da cunha exporá as faces dos vis impostores terrenos. No entanto, acreditamos, equivocadamente, que instrumentos maçônicos mais delicados possam ser mais instrutivos.
O uso da Alavanca nos fortalece, revigora e, sobretudo, nos fornece a resistência emocional. O Maçom fica “calejado”: por já ter passado por tantos problemas, desenganos ou situações difíceis em Loja, nada o fará deixar de ser Obreiro, uma vez que reconhece a Alavanca como um talismã contra as tentações da inércia.
Permita-me a brincadeira de criar uma nova “lei”: pela última Lei de Notwen, conhecida como o Precipício da Inércia: um membro da Maçonaria em repouso tende a continuar em repouso, e um membro da Maçonaria em movimento quase parado (sem real velocidade de deslocamento) tende a continuar marcando passo, a menos que a força moral da Alavanca atue, surgindo, assim, o Obreiro Maçônico.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club



