SABER LER

Às vezes, parece que alguns Irmãos levam a sério ou, em sentido literal, a frase “não sei ler nem escrever, apenas soletrar”. Nesse sentido, soletram como devem os Aprendizes e gaguejam como podem os Companheiros. Não obstante, de modo vergonhoso, presenciamos Mestres Maçons barbarizando foneticamente o Ritual.

Assim, é preciso deixar claros dois pontos: o primeiro quanto às manifestações e o segundo quanto às leituras.

Nas manifestações espontâneas durante a Sessão, sotaques, expressões regionais, palavras incorretas e inaudíveis ou arrojos verborreicos, a bem da fraternidade e da tolerância, são até suportáveis. Contudo, na leitura do Ritual, são vergonhosos e quebram a unissonância vibracional que deve haver nas reuniões, em especial nas Sessões Magnas.

Apenas Mestres Maçons podem ocupar cargo (isso é lei, e devemos seguir), e, para chegar ao Grau de Mestre, espera-se ética e moralmente que o Maçom tenha se assentado nas Colunas do Sul e do Norte por pelo menos dois anos.

Decerto, alguém há de lembrar que algumas Potências estipulam o período de interstício de seis meses. Quando, porém, a Potência apresenta um prazo, este é o mínimo, e toda Loja tem autonomia para avaliar se o Irmão está, de fato, apto para galgar um novo grau.

A realidade das “férias maçônicas” (sic) – nos meses de janeiro, julho e dezembro – pode resultar em que, no interstício de seis meses, aconteçam menos de 20 reuniões, e há no Livro da Lei uma instrução para esses casos: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (Coríntios 6:12). Em outras palavras, há a liberdade para conceder o aumento de salário, mas se faz necessária a Sabedoria de escolher se é benéfico para o Irmão, edificante para a Loja e moralmente correto dentro da Ordem.

Alcançando a maestria, vêm junto a ocupação de cargos e o encaminhamento para a direção da Loja, e, assim, começa a nossa “peleja”. Noventa porcento de nossas reuniões são em Grau 1. Desde a iniciação, estamos com o livreto nas mãos, e, em todas as sessões, as mesmas frases são repetidas. Como, então, podemos LER as palavras de forma incorreta?

Com exceção do Rito de York, não se cobra a memorização das falas. É bonito e admirável “falar de cor”, porém é feio e embaraçoso estar com o ritual e não ler de modo adequado as palavras, suprimir frases, estar perdido durante os trabalhos e não saber responder qual é o seu lugar em Loja.


A LEITURA ANTECIPADA DO RITUAL É, NO MÍNIMO, DEMONSTRAÇÃO DE COMPROMETIMENTO E DESEJO DE UMA SESSÃO HARMONIOSA.

Imprescindível, ainda, compreender que nossas reuniões são ritualísticas e dramatúrgicas. Logo, além da obrigação de saber ler as palavras, são fundamentais entonação, clareza e amplitude vocal.
“Queem vim lá.”  “Quem é que vem?”  “Quem vem lá?”   “
QUEM VEM LÁ?

As Sessões Magnas são teatrais. Não há ligação com oratório, liderança, boa vontade ou quaisquer outros atributos que possam fazer um Irmão se tornar Luz de uma Loja. É preciso treino, ensaio e determinação em fazer o certo e o melhor.

Leiam os rituais, destaquem as vírgulas e marquem com barras intervalos em frases longas, para dar fôlego e a devida dramaturgia.

SABER LER É PROVA DE QUE ESTUDA,
É A CERTEZA DE QUE SABE ENSINAR.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
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