SÓCRATES, O JUSTO E PERFEITO

                                                                                    

 

O texto filosófico conhecido como “Apologia de Sócrates” (ou “defesa de Sócrates”) é um elogio escrito por Platão para enaltecer o seu mestre. Como todos sabem, Sócrates fora injustamente acusado por “três MAUS COMPANHEIROS”: Ânito, Meleto e Licon. Impressionante como a mesma história sempre se repete: – aquela lei terrível que impele os que foram auxiliados e instruídos a se revoltarem contra o professor. Movidos por incontrolável ira e desejo de vingança, vão da calúnia ao desejo matar o mestre, segundo a fórmula maldita: “O INICIADO MATARÁ O INICIADOR”. Foi assim com muitos outros mestres do passado, foi assim com Jesus diante do beijo de Judas.

 

Pergunto aos psicólogos se Freud explicaria esse fenômeno, pois um dos mitos que se tornou central na psicanálise foi o de Édipo (Complexo de Édipo), inspirado na tragédia grega “Édipo Rei”, designando o conjunto de desejos amorosos que o menino (no caso, o discípulo) experimenta com relação ao Conhecimento (sua mãe) e a hostilidade em relação ao pai (figura do professor). Ou seria o caso de analisarmos pela divisão tripartite em que opera o inconsciente nos comportamentos: 1) o Id. representando os processos primitivos e reservatório das pulsões, especialmente a pulsão de morte, e pelas demandas mais primitivas e perversas; 2) o Ego, como instância da consciência ou o desejável “eu saudável” que se adapta à realidade e interage com o mundo de maneira cômoda; 3) o Superego, parte que se contrapõe ao Id, “ministrando” valores morais e éticos −seria, no caso – o mestre.

 

Presenciamos essa brutal realidade em todos momentos da vida atual: confirmando a triste regra, nas escolas, onde o respeito e a civilidade deveriam predominar, assistimos a cenas de alunos atacando moral fisicamente seus professores.

 

Fatos não faltam na história da Maçonaria (desde as alegorias primitivas) organização que primeira deveria se precaver daqueles iniciados incompletos que tentam usurpar o Conhecimento.

 

Voltemos ao bom e velho Sócrates daquela anedota sobre os paradoxos do Conhecimento:

Disse Sócrates:

− “Só sei que nada sei.”

Seu discípulo Cebes retrucou:

− Por Zeus, Sócrates! Se você nada sabe, como sabe que nada sabe?

Sócrates retrucou:

− Minha mulher me disse...

 

Mas a realidade foi muito mais dura: houve três celerados: Ânito, Meleto e Licon; houve um julgamento, uma sentença e houve a morte.

 

Sócrates não deixou nada escrito. Foi Platão que redigiu as falas dos Diálogos e do discurso pronunciado pelo mestre numa tarde triste e cinzenta do ano 399 a.C..

 

A “Apologia de Sócrates” é o segundo livro da tetralogia formada pelos diálogos: EUTIFRON (em que Sócrates, ainda livre, discursa e ensina a caminho do tribunal para conhecer as acusações que lhe foram movidas); o CRITON (lições durante a visita de seu amigo mais querido ao cárcere) e o FEDON, que descreve os últimos instantes de vida e o discurso de Sócrates sobre a imortalidade da alma.

 

Sócrates foi “muito macho” para viver toda essa gloriosa tragédia. Mesmo diante  dos sofrimentos morais e da morte, prosseguiu ensinando e mantendo a dignidade.

 

A distância entre aqueles séculos e o mundo de hoje mede-se pela estatura nanica dos que se dizem HOMENS embora lhes faltem barbas hirsutas ou aquele “fio de barba”, no mínimo, que lhes ateste a honra.

 

A tais imberbes aconselho a REFLEXÃO da primeira câmara: “Quanto mais fordes dissimulados, mais cedo sereis descobertos”.

 

José Maurício Guimarães

 

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"A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações"
 
Mahatma Gandhi
"Jamais permita que os nós tapem a vista da janela, pois será através dela que enxergaremos a oportunidade dos laços!"

 

Áureo dos Santos